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Prof.Paulo Murilo 

06 abril 2008

COLETIVISMO X INDIVIDUALISMO...

Na semana recém finda, assisti pela TV algumas competições esportivas, como um jogo do europeu de futebol, onde a equipe do Barcelona foi derrotada, e varias partidas do campeonato universitário americano de basquetebol. No jogo da equipe espanhola, chamou-me a atenção um comentário do analista da emissora sobre o comportamento retraído e silencioso do técnico holandês da equipe, sentado calmamente em seu banco, sem manifestações ostensivas na beirada do campo. O comentarista criticava aquela atitude passiva, argumentando da necessidade que o mesmo teria de agir, nem que fosse gestualmente, como uma satisfação aos torcedores, ao “demonstrar” trabalho e interesse pela equipe que passava por uma situação de derrota. Ou seja, defendia a síndrome da luz-vermelha, quando um técnico ao flagrar uma câmera focada em si (quando ligada emite uma luz vermelha ao lado da lente) imediatamente se põe ao lado do campo gritando e gesticulando para passar a idéia de participação ativa no jogo, mesmo sabendo ser impossível que seus brados sejam ouvidos por quem quer que seja dentro de campo. Mas ficam os gestos agressivos e passionais, que tem garantido muitos contratos pela sua “participação ativa” perante os dirigentes, mesmo sabendo ser inócua na realidade do jogo. O testemunho do comentarista põe em evidência, não só para ele, mas para uma grande parte da imprensa esportiva, como valorizam o mís en scéne oportunista e revelador de uma corrente de técnicos, mais preocupados com sua posição no mercado de trabalho, do que a equipe que dirige. Esquecem que o trabalho de um técnico é realizado nos treinamentos, intensamente, e em uma ou outra substituição que se faça necessária, além dos ajustes que poderá fazer nos intervalos dos jogos. Pererecar, dançar, saltitar, em atitudes de péssima coreografia ao lado de campos e quadras, além do ridículo a que se expõem , nada acrescentam às suas equipes, a não ser a demonstração da pouca qualidade técnica de seus treinamentos, onde deveria preparar a equipe, sem gestos, discursos ou câmeras focando seus inflados egos.

Outra intervenção abalizada criticava a tendência de alguns técnicos defenderem a preparação das equipes de basquetebol focadas basicamente na pratica dos fundamentos, privilegiando as individualidades, em vez do coletivo, que segundo sua opinião, levada pelo poder da mídia televisiva a uma quantidade enorme de cabeças jovens país afora, é a que deve prevalecer, no que é acompanhado por boa parte da critica basquetebolística nacional, num lamentável equívoco, pois omitem pela ignorância o fato inconteste de que a base coletiva de uma equipe é fornecida pelo preparo e pleno domínio por parte dos jogadores, dos fundamentos do jogo, sem os quais nenhum movimento técnico-tático obtém sucesso.

Dois enfoques equivocados, plena e estruturalmente equivocados, mas que preenchem rotineiramente muitos dos comentários feitos e emitidos por uma parcela da imprensa descomprometida com as bases autênticas do desporto, porém extensamente comprometida com as modas e os conceitos globalizados que privilegiam o espetáculo em função da educação e dos princípios sociais dos mesmos.

Nesta segunda-feira, assistiremos ao jogo final do campeonato universitário americano, na presença de 50 mil torcedores e alguns milhões espalhados pelo mundo, num espetáculo onde os princípios e as tradições universitárias americanas atingem o mais alto grau, quanto a importância do desporto na formação integral dos jovens daquele país, e onde não testemunharemos coreografias ao lado da quadra por parte dos técnicos envolvidos, e muito menos a negação da qualidade individual dos jogadores, que estarão inseridos no coletivismo de suas equipes, coletivismo esse garantido e lastreado pela competência e segurança de seus jogadores pelo pleno domínio dos fundamentos do grande jogo.

De um lado a Universidade de Kansas, sólida em seu preceito de jogo coletivo, pausado e altamente seletivo nos arremessos. Por outro, a Universidade de Memphis, com sua exuberante individualidade levada á excelência nos fundamentos de todos os seus jogadores, onde o coletivo massivo cede vez à improvisação, somente factível através o mais qualificado e sedimentado domínio dos mesmos, prenunciando uma batalha entre o determinante coletivo, contra o instigante individualismo responsável . Quem sabe nossos sábios comentaristas possam justificar alguns de seus equivocados pareceres, perante as duas realidades que comentarão, ambas tendo um condutor comum, seja no coletivismo, seja no individualismo, o domínio dos fundamentos.

E que esse exemplo seja seguido em nosso país pelos lideres técnicos das gerações que se iniciam na pratica do basquete, sem serem sugestionadas e estigmatizadas por conceitos técnico-táticos preestabelecidos, e sim orientadas a um preparo sensível, prolongado e qualificado das bases do jogo, os fundamentos, que consolidados serão a base futura de sistemas, tanto ofensivos, como defensivos. A negação dessa evidência somente corrobora a nossa proverbial tendência à minimização do competente ensino dos fundamentos, em beneficio de um coletivismo mantenedor do sistema único, no qual a prancheta representa e reflete o narcisismo de seu mentor.

Amém.

10 Comments:

At 12:48 AM, Anonymous Anônimo said...

Paulo:

Excelente punto de vista el suyo, pues sin el dominio de los fundamentos no se va a ningun lado.

La enseñanza de los fundamentos debera estar pautada por la metodologia de practicar la --tecnica entrelazada con la tactica--.

La belleza de los partido universitarios del baloncesto, subraya la importancia de la calidad tecnico-tactica-metodologica de los entrenadores en un continuum, desde los entrenadores de base o formacion, hasta los universitarios.

Sobre el comportamiento --profesional ,de los entrenadores involucrados en el "gran baile del
basquetbol de la NCAA"; de nuevo usted subraya lo obvio,el trabajo del entrenador esta en el entreno, pues el partido les pertenece a los jugadores.

Gil guadron

 
At 11:04 AM, Anonymous Anônimo said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

 
At 11:05 AM, Anonymous Anônimo said...

Desculpe Professor, acostumado com o orkut, digitei [b] / [/b] para negrito e a grafia certa parece que é e desculpe o erro !

 
At 11:09 AM, Anonymous Anônimo said...

Professor, coprrigi o texto para a formatação pertinente, favor deletar o primeiro comentário meu.

O teor é o mesmo, mas corrigido !

Obrigado !

Caro Professor Paulo Murilo,
é com tristeza que comento no blog do senhor hoje.

Assisti durante o sabado três jogos de basquetebol!

Primeiro assisti a decisão da SuperCopa, no embate entre
Franca e Araraquara.

O recurso tático da bolas de três pontos é usado corriqueiramente pelas duas equipes. Cheguei a contar 6 arremessos seguidos dos três pontos com ataques em menos de 10 segundos de armação.

O péssimo uso da posse de bola aliado ao tenebroso conceito de que devemos chutar todas as bolas e de três pontos,
fez este jogo o pior do espetaculos que vi de basquetebol no ano.

FOI PÉSSIMO e quando Franca após o intervalo em que saiu em vantagem a casa dos 36 x 33, salvo engano, começou a jogar o basquetebol mais simples e objetivo, prevalecendo de infiltrações à cesta e movimentação dos pivôs debaixo da cesta com bloqueios indiretos, porém sempre próximos as cestas ... a equipe francana abriu incriveis 72 x 42,
uma vez que a equipe de Araraquara apenas tinha como jogo, as bolas de três pontos e nada mais.

Quando muito uma ou outra infiltração.

Isso porque, Araraquara tinha como um dos destaques da sua equipe, o pivô Lucas Tisher, alto, forte,
envergandura excelente e com bom trabalho nos jogos anteriores sob o aro. Porém, O MESMO NÃO FOI ACIONADO SE QUER UM VEZ DEBAIXO DA CESTA E EM CONDIÇOES IDEAIS PARA FINALIZAR, QUE É SEU FORTE.


Após o péssimo jogo assistido, salvo pelo terceiro periodo francano que terminou na casa dos 32 x 6 ... uma verdadeiro massacre;
assisti aos dois jogos da NCAA.

Mesmo considerando o maior tempo de posse de bola e outras diferenças do jogo e regras, sem sombra de dúvida, a MAIOR DIFERENÇA QUE VI foi o total dominio dos fundamentos básicos do jogo, tais como: Passe, Arremesso, Rebotes,
Deslocamentos sem a bola, com a bola, Drible e principalmente a organização das equipes com jogadores sabendo suas funções.

Sinceramente,deu certa tristeza em assistir o jogo nacional horas antes.

Os universitários norte-americanos estão anos-luz à nossa frente fora da quadra e dentro da quadra estão MILHOES DE ANOS -LUZ à nossa frente.

Os dois jogos universitários foram pautados por defesas fortes, com ajudas bem encaixadas, a estrela Tyler Hansbrough deve marcação TRIPLA em vários momentos, algo que NÃO VI no basquetebol nacional pelo menos nos ultimos 3 anos.

Acredito que qualquer uma das equipes que vi venceriam Franca ou Araraquara se tivessemos um embate das mesmas. Mesmo as americanas tendo jogadores com menos de 20 anos em seus elencos e ainda por desenvolver melhor a técnica, o físico e o tático para o jogo.


O final de noite valeu como um espetaculo de bom basquetebol.

E como reflexão para que possamos trabalhar nossas categorias de base, que são o berço do péssimo basquetebol adulto que temos.

Um abração para o senhor e que hoje às 22horas, tenhamos mais um grande jogo na quadra, com duas belas equipes !

 
At 2:23 PM, Blogger Basquete Brasil said...

Caro Gil,o comportamento de muitos técnicos que agem como se fossem o centro do espetáculo,é o grande problema que enfrentamos em nosso país quanto ao verdadeiro espirito do jogo.Para eles os jogadores são meras escadas utilizadas para a sua pseudo importância durante as partidas.Muitos assumem uma equipe num dia, e no outro apresentam um comportamento de quem a dirige por longos meses,claro,ajudados pela existência de um único sistema de jogo implantado em todas as equipes,fato este que os faz pensar e agir de forma padrão, sejam quais forem os jogadores envolvidos no processo.Trata-se de um evidência trágica e comprometedora,pois tende
à involução técnico-tática de todos os segmentos envolvidos no mesmo,inclusive e principalmente eles próprios.É a nossa grande e perversa realidade.Um abração,
Paulo.

 
At 2:31 PM, Blogger Basquete Brasil said...

Prezado Henrique,como não adianta chorarmos pelo leite derramado,tratemos nós outros,sabidamente a minoria,de trabalharmos visando um possivel,também sabemos que remoto,melhor destino para o nosso basquetebol.Como as grandes conquistas começam em minúsculas empreitadas,quem sabe consigamos reverter o caos reinante? Quem sabe?Por isso,e por essa esperança não esmoreço nesse trabalho,até quando puder e ter saúde física e mental.Se tiver ajuda então...Quem sabe? Um abraço,Paulo Murilo.

 
At 3:17 PM, Anonymous Anônimo said...

Professor Paulo Murilo,

Apenas para constatar que as duas equipes que se classificaram para a final de hoje sao as equipe que possuem melhores armadores.
Infelizmente nao poderei assistir ao jogo ao vivo por problemas de fuso - mas ontem tive a oportunidade de assistir ao trabalho de equipeda Ferrari na vitoria do Massa aqui no Grande Premio de Bahrain. Um abracao.

 
At 1:56 AM, Anonymous Anônimo said...

Que pena que en basquetbol no existe el --empate--.

COMPARTIENDO.
Un ejercicio para el tiro de "tres" / " penetracion ".

Los jugadores estan en dos lineas detras de la linea final, un metro antes de llegar a la linea de "tres puntos".

Frente a cada linea de jugadores, casi a la altura de la linea de la media cancha, se ubican dos entrenadores asistentes ( podrian ser dos jugadores ).

Los primeros jugadores de cada linea, tienen una pelota, no los segundos, pero si los terceros.

Los jugadores con la pelota, ejecutan pases largos en diagonal a los entrenadores,y tan pronto pasan la pelota corren a toda velocidad hacia las afueras de la linea de "tres puntos", en direccion hacia donde pasaron la pelota, es decir, corren en diagonal.

Ejm. para los jugadores de la columna del lado izquierdo:
el jugador (1), sobre el lado izquierdo, pasa la pelota al entrenador ubicado en el lado derecho de la cancha ,y corre hacia el, recibe la pelota aproximadamente a un metro de la linea de "tres".

Tan pronto el jugador recibe la pelota se "square - up", amaga ("fake") el tiro de tres, ejecuta un paso --largo-- pasando junto al posible defensor,y dribla de penetracion,y le pasa la pelota al jugador (2).

El jugador (2) tan pronto ve que el(1) ejecuto el pase y corre en diagonal a recibir el pase,corre hacia la linea de "tres", pero sobre el mismo lado de la cancha ( es decir el lado izquierdo ), tan pronto llega, ejecuta un corte en "V" re-ubicandose afuera de la linea de "tres" ,y recibe el pase del jugador (1) quien ejecuto un drible de "penetracion" ,y tira de "tres".

Simultaneamente, la misma accion se esta desarrollando , con los jugadores de la columna del lado derecho.

Apuntes personales de Gil Guadron del estagio con el entrenador Bill Self, entonces entrenador de la Universidad de Illinois.2000

 
At 11:34 PM, Blogger Basquete Brasil said...

Prezado Walter,pelo visto o apelo da F1 foi mais forte.É claro que uma corrida desse calibre ao lado de sua casa não poderia ser dispensada,ainda mais com a vitória de um patrício.Quanto à final na NCAA,o que vimos foi um belo jogo,num belo ginásio repleto, numa bela festa.Também tivemos espetáculos dessa monta no passado,quando o maracanãnzinho fervilhava de emoções.Bons e saudosos tempos aqueles.Um abração,
Paulo.

 
At 11:43 PM, Blogger Basquete Brasil said...

Caro Gil,tenha paciência amigo.Coloque seus magníficos comentários sob os artigos sugeridos aqui pelo nosso blog, senão fica uma excelente aula meio perdida no esquema,não alcançando os objetivos propostos pelos temas do mesmo.Precisamos ordenar didaticamente a turma mais jovem,para que não se percam raciocínios de grande valor.Um abração,Paulo.

 

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