Basquete Brasil
Discute a atualidade da modalidade no Brasil, e suas implicações a um possível soerguimento técnico.
31 Julho 2008
O ÓTIMO BLOG DO CRUZ...
O grande amigo Pedro Rodrigues de Brasília, me envia regularmente ótimos artigos sobre os mais variados assuntos, sempre de bons autores, que nos propiciam oportunos e sempre atualizados debates. Ontem, um dos artigos enviados, o do jornalista José Cruz, do Correio Braziliense, publicado no passado dia 24, em seu Blog do Cruz, despertou em mim uma saudável inveja, por não ter sido o autor, sobre um assunto que sempre discuto aqui no blog. Em poucos parágrafos o Cruz disseca uma dolorosa realidade do nosso desporto, que como mencionei antes não tive a oportunidade de publicar, mas uma oportunidade muito maior em lê-lo, oportunidade esta que passo a dividir com os leitores, sendo esta a segunda vez que o faço neste blog.
DISCURSO E REALIDADE DO ESPORTE OLÍMPICO
A duas semanas dos Jogos de Pequim, há bons temas para análise.
Por exemplo, o crescimento da delegação brasileira, a maior até aqui, com 278 competidores, e o aporte de verbas para a preparação dos atletas, em torno de R$ 500 milhões nos últimos quatro anos.
Começo pela parte burocrática: os discursos, excelentes sinalizadores.
Poucos prestaram atenção sobre o que significa uma ou outra manifestação que, muitas vezes, abrange um contexto mais amplo.
Recentemente, quando recebeu no Palácio do Planalto parte da delegação que vai a Pequim, o presidente Lula não cobrou resultados.
Mesmo sendo o governo federal o principal financiador do esporte olímpico, seria antipático se fizesse isso publicamente.
Lula apenas desejou que os atletas ganhassem os pódios possíveis.
Na mesma solenidade palaciana, a cobrança veio do ministro do Esporte,
Orlando Silva: “O Brasil, em função da melhor preparação da sua delegação, que é a maior da história, pode ter o melhor desempenho até agora. Nunca tivemos tão bons profissionais e tanto apoio”.
Sem ser direto, Orlando Silva diz aos dirigentes do olimpismo nacional que o governo espera, sim, mais medalhas.
Porque de seis estatais — Banco do Brasil, Petrobras, Caixa, Correios,
Infraero e Eletrobrás —, das loterias federais e da Lei de Incentivo ao Esporte, o olimpismo recebeu em média R$ 125 milhões por ano durante o atual ciclo olímpico.
Há bom tempo o ministro do Esporte tem insistido nesse assunto, pois sabe muito bem sobre o volume de dinheiro disponível, um contraste espetacular com os orçamentos miseráveis de 10 anos atrás.
Nessa realidade, seria oportuno que Orlando Silva pedisse que as estatais divulgassem os contratos com seus patrocinados. Por exemplo, ao liberar R$12 milhões anuais para o atletismo, que metas são fixadas?
E a natação, quantos atletas deve colocar anualmente entre os 15 do ranking mundial, em resposta aos recursos que recebe dos Correios? Existem exigências para a revelação de talentos? Extra-oficialmente não, o que é uma falha espetacular nessa parceria. Doa-se o dinheiro sob a ótica do marketing esportivo, exclusivamente.
Assim agindo, o governo comporta-se apenas como um doador sem limites.
Na prática, é o Estado financiando o esporte, mas sem participar ou opinar sobre as decisões de como e onde aplicar o dinheiro. Essa é uma relação difícil e nada amistosa, sabe-se bem, pois o doador é um ente político — de interesses partidários e de ocasião —, enquanto o gestor é uma entidade civil, que foge da burocracia e do controle governamental.
Mas porque o vôlei recebe mais recursos das loterias federais, mesmo tendo expressivo patrocínio do Banco do Brasil? Qual a prioridade no ciclo olímpico: o remo ou a canoagem? O atletismo ou a natação? O judô ou o taekwondo?
São decisões, enfim, tomadas por uma elite, a portas fechadas, sem dar
satisfações à comunidade esportiva que, efetivamente, é quem financia todos esses esportes.
Enquanto isso…
Por conta dessas dúvidas e indefinições, passou despercebido de muitos que, para aumentar a equipe olímpica, os índices de algumas modalidades foram facilitados. No atletismo, por exemplo, muitas provas tiveram seus tempos ou marcas iguais aos exigidos para os Jogos de Sydney, em 2000, conforme estudo do professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo. Ou seja, a delegação cresceu, mas a qualidade é a mesma de dois ciclos olímpicos atrás.
É por isso que Franco avalia que, sem contar com os maratonistas, temos apenas quatro atletas com chances de chegar ao pódio em Pequim: Maurren Maggi (salto em distância), Jadel Gregório (triplo), Fabiana Murer (salto com vara) e Jessé de Lima (salto em altura). De que vale a quantidade se nos falta a qualidade, já que a maioria não está entre os 30 melhores do mundo?
Essa realidade demonstra como estamos atrasados na revelação de valores, o mesmo ocorrendo com a natação.
Isso confirma o que já discutimos neste espaço: apesar do dinheiro
disponível, pouquíssimas confederações aplicam na base, na iniciação. É um trabalho que o Comitê Olímpico Brasileiro nem quer ouvir falar.
Diz que compete ao governo, via desporto escolar. Nesse aspecto o governo é omisso, porque nem sequer tem política para tanto.
Há evoluções, claro, como o judô, rigoroso na formação e na seleção de seus atletas. Mas ainda sem a participação significativa das federações, que continuam alijadas do sistema. Ou seja, o dinheiro é muito, mas com concentração na cúpula, na elite. É nesse aspecto que o ministro Orlando Silva poderia ser bem mais exigente. Afinal, é a autoridade máxima do ESPORTE NACIONAL.
O site do Blog do Cruz –http://www.eunaotenhonome.com.br/blog/blogdocruz
26 Julho 2008
UM BELO E PROFÍCUO ENCONTRO...
Após ser apresentado pelos professores Byra Bello e Paulo Murilo, o professor José Curado passou a expor toda uma gama de conquistas profissionais que os técnicos de além-mar conseguiram nos últimos 30 anos, e não só os de basquetebol, como das demais modalidades desportivas. Propôs soluções simples e viáveis, mas não destituídas de muito trabalho , empenho e dedicação, focando um aspecto revelador, a do integral aproveitamento daqueles técnicos que não mais exerciam o treinamento de equipes, mas plenos de experiência e saber, fatores estes fundamentais na transmissão de conhecimento aos mais novos.
Sugeriu o envolvimento na política desportiva, como fator de tomadas de posições do interesse profissional dos treinadores, exatamente para não permitirem a ascendência de políticos profissionais que preenchessem os nichos relegados por omissão, enfatizando o fato inconteste de que se tal preenchimento fosse relegado pelos técnicos, num futuro não tão distante perderiam o poder decisório em questões fundamentais, ligadas ao exercício profissional.
Organizações de treinadores de âmbito internacional, desenvolvem segundo ele, projetos sofisticados em network, que por enquanto não contam com a participação de nenhuma associação de técnicos da America do Sul, inclusive da Argentina, para onde se deslocará amanhã, no intuito de repetir sua exposição realizada hoje entre nós.
Combinei com o Curado, uma gravação em vídeo dessa magnífica exposição, a qual disponibilizarei em DVD, a toda e qualquer associação de técnicos que se interesse pela mesma, e que esteja em organização pelos estados do país. Será um subsidio valioso para a consecução dos objetivos a serem traçados pelas mesmas, auxiliando-as na busca de uma função efetivamente produtiva, social, cultural e tecnicamente falando.
A Associação de Técnicos de Basquetebol do Rio de Janeiro, que ora se organiza, deu um grande passo para sua efetiva qualificação e implantação, que contamos todos nós, sejam tais objetivos alcançados em breve espaço de tempo. Muito trabalho a espera, dependendo em muito da participação de todos os técnicos ativos, e mesmos os inativos, para juntos se unirem em torno de um bem comum que deve ser preservado a todo custo, o bem do basquetebol brasileiro.
Amém.
25 Julho 2008
PALESTRA...
Amanhã a palestra do Prof.José Curado no auditório do Fluminense FC, às dez da manhã.
Queria convidar todos os blogueiros que escrevem sobre basquetebol para prestigiarem o encontro, pois o momento é de decisivas tomadas de posições, e um tema sobre associações e escolas de técnicos na experiência européia, em muito nos poderá ajudar e esclarecer quais caminhos teremos de trilhar, para tentar o soerguimento do nosso basquetebol. Todos lá então.
24 Julho 2008
ESCOLA DE TÉCNICOS...
Em uma recente entrevista dada ao Correio Braziliense, o ex-técnico da seleção brasileira masculina, Lula Ferreira, assim analisou a eliminação do torneio Pré-Olímpico : “ A eliminação da Seleção Brasileira masculina do torneio pré-olímpico reflete a grande distância do nosso basquete com o praticado no cenário mundial.
É preciso um trabalho para que possamos nos aproximar dessa realidade externa.
E isso passa por uma participação de todos os setores, dos técnicos, árbitros e dirigentes, inclusive, e não apenas dos jogadores.
As mudanças que se defende são uma somatória de ações.
A prioridade para essas mudanças seria criar uma escola nacional de técnicos.
Todo técnico, desde os que dirigem escolhinha até os que atuam em equipes profissionais, deveriam passar por esse curso de capacitação, onde seria implantada uma maneira única de formação de jogadores, de formação de equipes pautada no jogo coletivo, onde a estrela seja o time e não o jogador.
Nossa cultura é o contrário disso(...).
É bom lembrar a Argentina, que ficou 40 anos sem disputar uma olimpíada.
Depois se organizou, formou uma boa geração e hoje é campeã olímpica”.
Mas se o Brasil tem potencial, porque está a tantos anos fora das olimpíadas?
“Porque o cenário do basquete mundial é altamente competitivo.
A FIBA faz um campeonato mundial com 24 países. Nas olimpíadas são só 12.
O corte é muito profundo e a concorrência muito grande”.
São argumentos que desde muito suscitam discussões sem fim, e que ao final não levam a conclusões aceitáveis. Mas um ponto, talvez o mais importante é o que aborda a escola de técnicos. Para o técnico Lula, uma única maneira de preparo de jogadores e equipes é a que deve ser implantada, e que todos os técnicos deveriam seguir esta orientação.
Mas, não é o que já vem sendo implantado de muitos e muitos anos, através os famigerados cursos de atualização que a CBB promove em muitos estados, nos quais seus técnicos de seleções, impõem sem comiseração esse método único?
E não é dessa forma coercitiva que buscam nos estados uma novíssima geração de moças e rapazes e até adolescentes, para “implantarem” sistemas de jogo muito antes dos mesmos dominarem um mínimo dos fundamentos?
E que afirmam ser correta e cientifica essa forma de preparo de equipes de base, quando os mais primários princípios didático-pedagógicos desmentem tais afirmativas?
E que tal sistema único é a copia fiel e sem adaptações de um modo de jogar e agir, fruto de uma globalização colonizadora?
Tantas e tantas perguntas, que não podem ser respondidas com uma simples colocação de que uma escola de técnicos deva sacramentar tal realidade, infeliz e abjeta realidade. Exatamente aquela que nos lançou no poço sem fim em que n os encontramos.
Por esta e outras razões, uma escola de técnicos tem de ser a óbvia extensão de uma associação nacional de técnicos, autônoma, e apolítica, onde um vasto leque de sistemas, ofensivos e defensivos; onde técnicas de ensino bem fundamentadas em sólidas bases didático-pedagógicas estabeleçam os caminhos a serem seguidos através experimentações, adequações personalizadas,analises, pesquisas e estudos de grupos, sólidos conhecimentos de estratégias, e táticas, fatores estes que só podem ser alcançados pela abertura multifacetada de todo e qualquer sistema, e não a adoção pura e simples de uma única maneira de agir, de produzir, e principalmente, de pensar.
Tais declarações, advinda de um dos coordenadores das famigeradas clinicas cebebianas, tornam muito sérias as pretensões do grego melhor que um presente, de fazer da CBB a mentora da futura escola de técnicos( também a associação de técnicos...),cuja organização, implantação e divulgação, fatalmente será entregue a essa mesma turma que empobreceu o grande jogo entre nós, com suas indefectíveis pranchetas, sistema único de jogo, secundarização dos fundamentos ante tal sistema,e lapitopis caipiras.
Que os deuses se apiedem dos jovens praticantes e técnicos do nosso país.
Amém.
23 Julho 2008
UMA BOA OPORTUNIDADE...
Palestra sobre associações e escolas de técnicos de basquetebol.
Não deixem de assistir a palestra do Prof.José Curado, no sábado 26, no auditório do Fluminense FC, às dez da manhã.
Esta é uma excelente oportunidade de discussão sobre temas tão importantes para a modalidade, proferida por uma autoridade no assunto, já que presidente da Associação das Associações de Técnicos Desportivos de Portugal, com mais de 20 anos de efetiva participação na área.
Eis uma boa hora para aprendermos com quem realmente sabe.
21 Julho 2008
E OS IGNORANTES SOMOS NÓS...
Minutos atrás acessei o blog da TV Esporte Interativo, com uma entrevista do presidente da CBB, sobre a situação do basquete brasileiro após a desclassificação no Pré-Olímpico.
Tudo do que mais é contestado sobre sua administração, merece um tratamento expositivo que raia ao mais completo absurdo. Mas dois pontos me chamaram a atenção: Primeiro, a sua afirmação de que duas, das nove federações que votaram contra sua reeleição, Paraná e Rio de Janeiro, “já estavam alinhadas com ele”, ressaltando com a mais absoluta clareza “que no Rio coloquei um novo presidente lá”, num testemunho que bem demonstra sua capacidade de comprar consciências e votos.
Outro ponto, sua afirmação de que aqueles que o criticam, nada sugerem, somente falam mal. É um testemunho mentiroso, pusilânime e que bem demonstra sua falte de caráter e responsabilidade. Como já publiquei aqui no blog, fui publicamente convidado por ele quando do Sul-Americano de clubes em Brasília para uma visita “de duas horas para um papo e um café” na CBB, onde ouviria sugestões que eu pudesse apresentar no sentido de melhorar o setor técnico da entidade, e que foi por ele solenemente esquecido, deixando-me sem resposta duas vezes no telefone. As dez sugestões foram publicadas no artigo “Convite feito, convite aceito...” em 11 de dezembro de 2007. http://paulomurilo.blogspot.com/2007/12/convite-feito-convite-aceito.html
Claro que jamais seria ouvido, e sequer fui recebido, numa prova cabal de seu profundo desprezo por todo aquele que entende, pelo estudo, longa experiência, e vivência desportiva,as verdadeiras funções educativas e culturais da atividade física, conceitos estes antagônicos aos seus propósitos exclusivamente políticos, e de interesses pessoais.
Vale a pena acompanhar a entrevista, ao menos como um exercício sobre o que não se deve fazer e pensar sobre administração desportiva. É um relato lamentável.
http://www.esporteinterativo.com.br/noticias/index.asp?Id_Noticia=6382
Que os deuses ( peço perdão pela insistência...) nos ajudem.
Amém.
UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA...
Quando ecoou o sinal estridente da sirene, anunciando o fim do sonho classificatório para a competição olímpica, o grego melhor que um presente mudou um discurso de onze anos, os mesmos em que se encontra no poder confederativo. A desclassificação pela terceira vez, obrigou-o a uma mudança estratégica de planos, visando seu continuísmo naquela entidade. Coincidentemente, a par da desclassificação, 20 clubes se reúnem na cidade sede da CBB, e fundam uma nova entidade, a Liga Nacional de Clubes (LNB), cujos objetivos são idênticos às outras duas ligas fundadas nos três últimos anos. Objetivo principal? A posse das chaves do cofre, ciosa e rigidamente guardadas pelo impoluto grego. Chaves estas que controlam verbas públicas, verbas lotéricas, contratos televisivos e publicitários. Chaves estas que conotavam ao mesmo, poder e tráfico de influências.
Porque somente agora o preclaro presidente aquiesceu das benditas e sagradas chaves, numa hora de comoção nacional pela perda olímpica, depois de bravatas classificatórias e importação de técnico, por que ? Perda de mandato, impossível, já que teve suas contas aprovadas pela assembléia da CBB, constituída pelos clubes que sempre o elegeram através delegação de voto dos presidentes de suas federações, clubes estes que o tem garantido permanentemente. Então, o que o levou a declarar que chancelaria a nova entidade, mesmo sabendo que perderia a exclusividade sobre a propriedade do chaveiro cobiçado?
Talvez, não, com certeza, a garantia de que sua reeleição ( já anunciado seu interesse pela mesma...), não sofreria restrições, por parte destes mesmos clubes, que a inviabilizassem, garantindo apriorísticamente seu “cargo de sacrifício”, assim como os de todos os acólitos que o acompanham na empreitada, como num trato de cavalheiros sobre um principio democrático que sempre serviu de moeda de troca, pelos políticos infiltrados no mundo atraente e popular do desporto nacional.
E porque estes 20 clubes aceitariam tal engodo? Bem, dificilmente, num prazo de alguns meses, seria praticamente impossível demover presidentes de federações envolvidos e beneficiários do butim confederativo, a abdicarem de suas cômodas e bem pagas posições, pelo apoio ao capi, quando protegidos por eleições regulares e democráticas em seus estados, eleito que foram pelos , pelos, ora que novidade, seus respectivos clubes!
Então, estabeleceu-se o impasse. De um lado um grego inamovível a curto prazo. De outro, federações que em sua maioria o garantiriam por mais uma eleição, mas, que de acordo com outras e mais rentáveis propostas , poderiam deixá-lo pendurado na broxa. E como tempo se tornando cada vez mais escasso para uma retomada de posição visando o soerguimento da modalidade, e aproveitando sua aparente fragilidade ante o fracasso da seleção, que nem mesmo o sucesso da equipe feminina fez estancar a revolta à sua administração, o plano B teria de ser deflagrado, evitando retaliações, mudanças de lado, pedidos judiciais de vista contábil, entre outras possíveis ingerências indesejáveis.
Aceitar e chancelar a nova liga, entregando, ou dividindo, ou mesmo se contentando com uma pequena parte, que é melhor do que nada, dos valores contidos no mágico cofre, tão disputado a tapa por tantos...clubes, e a recondução sem traumas para mais uma etapa de “sacrificada direção”, não seria um mau negócio, ainda mais quando tem bem guardada em algum compartimento da pelagem felpuda de raposa profissional, aqueles segredos de sobrevivência que o tem premiado com o reconhecimento de maior personalidade do basquetebol nos últimos anos, pois, apesar dos desmandos, fracassos e irretocável incompetência técnico-administrativa, é, sem dúvida alguma, o grande campeão da manipulação de egos, vaidades e dos votos daqueles que o elegeram , reelegeram e se locupletam com as benfeitorias negadas a quem de direito, o basquetebol brasileiro.
Que se cuidem os 20, pois alguns deles já foram defenestrados nas duas ligas anteriores, punidos a maioria pela aceitação do jogo confederativo, e nas traições inter pares, e que nem a aceitação de um novo “trato de cavalheiros”, os tornarão imunes à extrema sagacidade de uma matilha pseudamente encurralada, numa situação que dominam como ninguém, onde o amadorismo inexiste por princípio.
Temo pela iniciativa, que em curto prazo visa organizar um campeonato nacional produtivo, e alguma iniciativa voltada à formação de jovens, mas que se esquece de apoiar o basquete feminino, e que pouca influência terá sobre o controle técnico da modalidade. Seria mais incisiva e decisiva essa união, se fosse voltada, mesmo sem o controle econômico tão ambicionado, pela pressão organizada e bem planejada sobre os clubes e federações estaduais, a fim de que, no próximo mês de maio de 2009, nas eleições da CBB, elegessem desportistas de primeiro time, preparados e bem assessorados, imbuídos na missão de recolocação do basquete em seu devido lugar, sem correrem o risco real de se verem surpreendidos por ações de decisivas estratégias de sobrevivência, emanadas de um certo tipo de político esportivo, para o qual ética, ou mesmo antiética, são princípios de caráter substituídos pelo mais danoso e perigoso deles, o caráter aético.
E pensar que só bastam 14 votos federativos para que se mude algo tão desejado para o soerguimento do grande jogo entre nós...
Amém.
19 Julho 2008
24 HORAS DEPOIS...
No O Globo de hoje (19/07), na matéria sobre a derrota da seleção no Pré-Olímpico, uma declaração do presidente da CBB deve ser seriamente analisada por todos aqueles que propugnam pela melhoria da modalidade no país, mais propriamente, os técnicos.
Para o dirigente, o trabalho para o futuro será longo: “Os países de ponta trabalham há cinco anos. A CBB vai criar a escola nacional de técnicos. É hora de união”.
Como vemos caríssimos basqueteiros, escolas de formação de técnicos, que em todos os países, como ele mesmo define, de ponta, as tem indissociavelmente ligadas às suas associações de técnicos , num vínculo apartidário, que garante suas autonomias eminentemente técnicas, com fortes suportes éticos, que são fatores quase nunca respeitados quando sob controle de entidades de cunho político, é a mais nova ameaça que ronda o nosso infeliz basquetebol, cuja direção não abre mão, em hipótese alguma, do controle absoluto e despótico, daqueles elementos passíveis de manipulação política e econômica, colocando-os à serviço de seus interesses, como moeda de troca para a manutenção continuísta junto às federações.
Imaginemos uma escola de técnicos sob o controle do atual departamento técnico da CBB, envolvido profundamente na continuidade dos princípios técnico-táticos implantado por um grupo de técnicos comprometidos na manutenção do status quo , cujos mandamentos nos atirou no limbo da improdutividade, estando à frente na organização de uma escola de técnicos. Qual seria o resultado?
Não precisamos perder muito tempo para prevermos uma catástrofe irremediável.
Quando tive a oportunidade de analisar os estatutos de uma futura associação de técnicos de um dos estados brasileiros, enviados para estudo e sugestões por um técnico envolvido em sua criação, Já no terceiro artigo emiti forte anteposição, pois o mesmo delegava ao presidente da federação a indicação do presidente da mesma, o que a tornaria, fatalmente, em artigo de barganha política, logo que criada.
A autonomia de uma escola de técnicos, é fator preponderante no sucesso da modalidade, pois complementa os conhecimentos adquiridos nas escolas de educação física, quase sempre pouco aprofundados; classifica os técnicos em faixas de atuação com acessos progressivos; desenvolve o intercambio de informações, de bibliografias; promove a publicação de trabalhos técnicos, estudos e pesquisas; e elege numa atuação inter pares, aqueles que, por sua qualificação técnica, moral e ética, se alinham na liderança qualitativa, tornando-os capazes de atuarem em seleções de formação e de alta competição internacional.
Uma outra matéria, publicado no mesmo jornal, intitulada : Dinheiro de menos para o basquete- afirma: “O fracasso do basquete, que não se classificou pela terceira vez consecutiva para o torneio olímpico masculino, deverá provocar mudanças no repasse de verbas da Lei Piva para o ciclo pós-Pequim(...).O peso dos resultados de Pequim, em agosto, será decisivo para a nova classificação na divisão do bolo.O Comitê Olímpico Brasileiro(COB) vai privilegiar os esportes que tiverem trabalhado melhor e evoluído em comparação às participações anteriores”.
Acredito ser uma atitude de diversionismo tático, já que o basquete feminino se classificou, e a turma do segundo esporte do país que comanda o COB, manterá o prestígio da atual direção cebebiana, exatamente para que a modalidade se mantenha na conveniente posição, na rabeira das preferências nacionais. O basquete em novas mãos pode se assanhar na reconquista histórica de segundo esporte na preferência da juventude brasileira, fator a ser evitado na medida do possível. E o grego melhor que um presente é a garantia pule de dez, para que tudo fique exatamente como está.
Que os deuses se apiedem do nosso basquetebol.
Amém.
18 Julho 2008
A AULA CARIBENHA...
“Porto Rico? É um time de peladeiros, que quando estão “no dia” metem tudo de três!”
“Não marcam ninguém, e não podem mesmo, com dois caras baixos na armação”.
“O gigantão é lento, desengonçado e fraco nos arremessos”.
“O outro grandão, comete faltas demais, e já está em final de carreira. Saudades do Piculin Ortiz...”
E por ai vão os comentários sobre aquela que está sendo a única equipe a jogar fora do padrão globalizado das demais equipes. E por conta desta “rebelião”, triturou a poderosa e bem estruturada Eslovênia, com direito a vê-la jogar a toalha nos dois minutos finais da partida.
Jogando com dois formidáveis armadores, que ainda acumulavam um potencial anotador, de três inclusive, fantásticos , assim como um posicionamento defensivo agressivo e eficiente, acompanhados de dois bons pivôs e um ala muito técnico, conseguiram subverter a ordem vigente de um sistema padronizado, com movimentações, que de tão conhecidas por todos, e exercidas por jogadores de elevada estatura em todas as posições, propiciaram aos “baixos” porto-riquenhos uma aula de como defender na linha da bola, obrigando os eslovenos a praticarem seu próprio anti-jogo, pela impossibilidade de desenvolverem as ações a que estavam acostumados.
Seus dois armadores atuavam juntos fora do perímetro, ajudando-se permanentemente, em corta-luzes, cruzamentos, penetrações e voltas de bola para os arremessos certeiros de três. E nos dois quartos finais, se deram ao luxo de jogarem com três armadores, numa continua ciranda de dentro para fora do perímetro, além de municiarem seus homens altos que recebiam seus efetivos passes em movimento, mesmo aquele pivosão tido como lento e inábil.
Foi uma aula de como se jogar em dois compartimentos aparentemente estanques( fora e dentro do perímetro ), mas que se comunicavam através ações de constante movimentação e atrevidas penetrações, quando as assistências se avolumavam ante o desespero dos eslovenos em suas infrutíferas tentativas de cobertura. Os baixos costa-riquenhos não encontraram em momento algum quem os rivalizassem em velocidade, pela desproporcionalidade em estatura de quem os marcavam, impondo inteligentemente o predicado da velocidade em anteposição à estatura, que é a única forma de ser estabelecido um razoável equilíbrio de ações.
E que ações, brilhantes, corajosas e revolucionárias para àqueles engessados técnicos adeptos crônicos do sistema globalizado. Pode ser que até não se classifiquem, mas já deixaram plantadas as sementes de algo, que de novo não tem nada ( também jogávamos assim no passado...), mas que delimita com clareza a redescoberta de como se pode jogar basquete de uma “outra forma”, criativa, corajosa, espontânea, e o principal, profundamente inteligente.
Sinto-me à vontade na crônica deste jogo, pois sempre propugnei por este sistema , ensinando-o, treinando-o, fazendo do mesmo o solitário projeto empregado em minhas equipes, principalmente as de formação, quando a necessidade extrema de bons e enraizados fundamentos, são os elementos básicos à sua aplicabilidade. E o afirmo solitário, pois foi desta forma, para muitos romântica e utópica, que preparei bons e efetivos jogadores, e boas equipes, em todos os anos de militância, jamais me considerando inferior tecnicamente a quem quer que fosse, nativo ou estrangeiro, quando os encontrava na verdade das quadras.
E é este sistema que sugiro ser desenvolvido e aplicado à seleção feminina, pois é possuidora de excelentes armadoras e ótimas pivôs, e que já sinalizou através seu técnico, a possibilidade de atuar com duas armadoras como padrão da equipe. Creio ser uma atitude correta e concreta, e que tem excelentes chances de sucesso.
Torcerei para que a equipe de Porto Rico consiga a classificação, quando muito como um sinal altamente positivo de que existirá algo no ar, além da mesmice tradicional. É o mesmo voto de confiança que desejo às nossas jogadoras.
Amém.
A QUEM INTERESSAR POSSA...
“Ufa! Conseguimos, conseguimos mesmo! Agora, com os quatro anos que temos de tranqüilidade pela frente, é tratarmos de reforçar outras modalidades, ajudando-as a subir um pouco mais na preferência popular, ficando como mais algumas na frente dos caras, já que pouco perigo poderão oferecer à nossa situação de segundo esporte no país. Não ousem sequer pensar em retirar os meios que mantém nosso grego de ouro lá na CBB. Ficou bem claro isso?
Mas chefia, já existem esboços de revolta contra a situação do cara, meio fracote, mas pode crescer. E ademais, a possibilidade de reassumirem a antiga posição de segundo esporte, é mesmo muito difícil, reconheço, mas não impossível, se a gritaria aumentar, e de alguma forma virarem a mesa, como não sei, mas... Concordo, e é exatamente por isso que tudo o que puder ser feito, arquitetado, cabulado, comprado, politicamente, ou não, terá de garanti-lo no poder. Não esqueçam que o basquete é ainda muito influente e respeitado pelas gerações passadas, e que os mais jovens se encantam pela NBA, logo, a manutenção do cara, como você diz, é fundamental para que o tal jogo não cresça aqui dentro, e venha nos assombrar em nosso atual e suado prestígio.”
Esse hipotético diálogo, em tudo justificaria a total blindagem que foi estabelecida em torno do grego melhor que um presente e sua administração, onde contas jamais foram contestadas, verbas são manipuladas sem auditoria e transparência, cargos e viagens são loteados, assessorias pagas são criadas ao bel prazer, e seleções são manipuladas politicamente, além dos famigerados cursos de atualização que servem de instrumento coercitivo na implantação e manutenção de um sistema técnico-tático arcaico e de domínio de uma casta de técnicos concordes com a situação diretiva da entidade.
Se mais uma classificação olímpica foi para o espaço, não devemos crucificar os jogadores que tudo fizeram para bem representar nosso basquete, mas isto sim, devemos confrontar tal desfecho com a situação calamitosa e profundamente doente que vem se abatendo sobre a modalidade, desde que essa administração lá se estabeleceu, com seus preceitos mafiosos, retrógrados e de profunda desonestidade esportivo-social. Com todas estas qualificações, têm prestado um enorme serviço na manutenção do descenso progressivo e inexorável de uma modalidade esportiva que sempre se orgulhou de seus inúmeros títulos internacionais, que desde sempre, a mantinha no segundo lugar no gosto do povo brasileiro. Claro, que muitos daqueles que hoje usufruem posicionamentos acima do basquete, não o querem de volta na disputa, pois não só prestigio estará em jogo, e sim muito dinheiro, dividido entre negócios, empresas, comercio e fortunas pessoais. O desporto no Brasil, e o culto ao corpo, segundo o Atlas do comte. Lamartine Pereira, move 12 bilhões de reais anualmente, cifra que muito bem escalonada e dividida, não pode se permitir ser alterada com o ingresso de um concorrente com o histórico do basquete. Está ótimo assim. Nada a mudar e a substituir.
Reflitam os verdadeiros basqueteiros do país, aqueles que hoje ocupam posições de relevo nos governos, nas grandes firmas e companhias, nas profissões liberais, nas universidades, e por que não, nos grandes clubes, e que de alguma forma foram beneficiados em sua formação cidadã, profissional, diretiva, e de comando, com a pratica do basquete. Antevejam a grande oportunidade de retribuírem um pouco, do muito que ganharam e se beneficiaram na aprendizagem e na prática do grande jogo. E que se levantem e o ajudem, da mesma forma em que um dia foram ajudados por ele, a se soerguer, e reconquistar seu verdadeiro lugar em nossa sociedade, em nossos corações.
Tudo começa no clube e seus pares. Em cada estado da federação eles reunidos elegem seus presidentes de federações, e estes, 27 no total, elegem a direção confederativa. Bastam que 14 deles se unam, se conscientizem de suas enormes responsabilidades, escolhendo um nome de consenso, um nome que reflita e represente um novo tempo, uma nova concepção administrativa, que delegue a quem de direito e conhecimentos o planejamento de uma verdadeira e representativa confederação, ao largo do lixo ora existente. Somente assim poderemos pensar em classificação olímpica, em lutar pela reconquista do lugar perdido e roubado no amor que todo brasileiro sempre manifestou pelo grande jogo, pelo grandíssimo jogo entre nós todos.
Amém.
17 Julho 2008
PALESTRA DO PROF.JOSÉ CURADO(PORTUGAL).
IMPORTANTE PALESTRA
No próximo dia 26, sábado, às 10 horas da manhã, no auditório do Fluminense Futebol Clube nas Laranjeiras, o Prof. José Curado, ex-técnico da Seleção Portuguesa de Basquetebol, e do Sport Club Benfica, atual Presidente da Associação das Associações de Técnicos Desportivos de Portugal, fará uma palestra sobre a organização destas entidades, que tiveram seu início duas décadas atrás com a fundação e organização da Associação de Técnicos de Basquetebol de Portugal, da qual foi fundador e primeiro Presidente.
Será de enorme valor e importância acompanhar e tomar conhecimento de suas experiências no continente europeu, dado aos seus vastos conhecimentos na área técnico-administrativa desportiva, assim como sua eminente participação na Escola de Formação de Técnicos de Basquetebol de seu país.
Num momento de grande expectativa e cuidados sobre o futuro do basquetebol entre nós, ouvi-lo e arguí-lo sobre tão importante assunto, será a grande oportunidade que todos aqueles interessados no futuro da modalidade terão ao comparecerem à palestra.
O Blog Basquete Brasil e a futuramente implantada Associação de Técnicos de Basquetebol do Rio de Janeiro, na figura de seu organizador Prof.Byra Bello, convidam a todos os técnicos, jogadores, dirigentes, jornalistas e apaixonados pelo grande jogo a comparecerem e prestigiarem o evento.
A ODISSÉIA...
Bola ao alto, lançada torta pelo juiz, mas bem aproveitada pelo Spliter iniciando nosso primeiro ataque, quando chega às mãos do Marcelo na lateral e Pimba! Chute de três falho. Mas o recado estava dado, com menos de 10seg. de posse! Sou mais eu, e o”passe a mais” que se lixe. Fosse eu o técnico e ato contínuo ao recado o banco não seria suficientemente longo para que ele baixasse de sua arrogância. O que se viu daí para diante foi um desafio entre uma equipe com absoluto domínio dos fundamentos, ante uma outra que tentava um equilíbrio baseado no espírito de luta de alguns bons jogadores, como o Spliter, o Alex e o Huertas. Foi o bastante para manter o placar de um ponto a favor dos gregos ao final do quarto.
Daí para diante, o abismo que separa a qualidade técnica dos jogadores gregos dos nossos, onde a elevada estatura de armadores, alas e pivôs, não limitam os mesmos na execução dos fundamentos de drible, passes , fintas e rebotes, além dos arremessos certeiros, e mais além ainda no posicionamento defensivo irretocável, contrasta com nossas deficiências nos mesmos, de uma maneira absolutamente inquestionável, deixando no ar a pergunta que não quer calar: Onde estavam os técnicos que não os prepararam na formação? Que ambas as equipes praticavam o mesmo sistema de ataque, era uma constatação clara e transparente, porém com um senão, uma diferença primordial que os diferenciavam, a superioridade grega nos fundamentos, exeqüibilizando-o, e superando nossos ingentes esforços em tentativas estéreis em antepô-los.
Ficou bem clara a nossa maior deficiência, quando além da mencionada fragilidade fundamental, a ausência de uma armação dupla e a utilização dinâmica de nossos pivôs, deu lugar à estagnação do sistema proposto, em jogadas setorizadas e avulsas, onde o ritmo cadenciado e previsível esbarrava numa defesa ativa e veloz nas anteposições, travando e retardando, não só as penetrações, como os lançamentos equilibrados, numa ação conjunta de quem domina o antídoto do próprio sistema que utiliza, numa engenharia reversa admirável . Por outro lado, estes mesmos gregos, no mesmo sistema, e graças ao seu domínio das técnicas fundamentais, o agilizavam e implementavam ações incisivas e carentes de erros de execução. Em falhas de fundamentos perdemos 16 ataques, ou seja, propiciamos 36 pontos possíveis ( isso se valessem somente 2 pontos cada...), aos nossos adversários. Os gregos perderam somente 5.
E bem acima de todas estas deficiências, onde até intoxicações alimentares assaltaram três de nossos jogadores, uma auréola ufanista preencheu os espaços de todas as mídias envolvidas na cobertura do Pré, onde pessoas que de basquetebol entendem menos do que eu de culinária chechena, desandaram a projetar qualidades técnico-táticas fantasiosas e até certo ponto irresponsáveis, confundindo marketing e lobbie esportivo com real qualificação de jogadores, principalmente no concerto internacional, mudanças superficiais, tal qual uma maquiagem de sistemas de jogo, com a fatal evidência da não absorção dos mesmos pela premência de tempo de treinamento, como se o grande jogo pudesse se tornar cúmplice de seus devaneios e sonhos esdrúxulos e irreais.
E se não bastasse esse caudal de insanidades, tivemos o desgosto de ouvir daquele que é descrito pela mesma mídia, como o maior jogador de nossa história ( da qual discordo veementemente...) duas terríveis afirmações, ouvidas em rede nacional, com audiência de muitos jovens jogadores, e também de jovens técnicos espalhados pelo país, ditas seriamente e impositivamente preambuladas com um sonoro :“Isso é para vocês todos entenderem!”
- “Em todas as minhas equipes, mandava bater, gastar as 5 faltas pessoais, para parar os ataques adversários, provocando lances-livres. E é o que a seleção deveria estar fazendo! Ordenava a todos que gastassem suas faltas!”
-“Agora, faltando 10min., é hora de esquecer sistema de jogo e botar pra correr a equipe. Jogar no sistema é o que os gregos querem que façamos...”.
Ficam no ar duas perguntas ao grande jogador: Qual a opinião, ou mesmo posição dos técnicos que contratou para dirigir suas duas equipes nos campeonatos que participou? Adotaram estas diretivas, se insurgiram, ou abaixaram a cabeça aquiescendo tais absurdos?
Mesmo constatando que os gregos, em momento algum da partida, não só esta, como as demais que vem participando, jamais abriram e abrem mão de seu sistema, colocando-o acima de comportamentos individualistas, que foram a essência de sua vida atlética, e que desde sempre aprovou a “nova metodologia” do técnico espanhol ( com o qual treinou na Europa...), prevendo substanciais progressos em nossa forma de atuar e jogar, mesmo assim, e incoerentemente, em rede nacional preconiza uma atitude técnico-tática oposta a seus próprios e anteriores comentários?
Não precisa responder, faça-o em suas palestras muito bem pagas, mas não as repita voltadas a um público ávido de ensinamentos compatíveis a seus sonhos adolescentes, onde o verbo bater e desrespeitar seu técnico e orientador, passa muito ao largo da canibalização empresarial a que são destinadas suas teorias.
E mais uma vez Hortência, parabéns pelos comentários equilibrados, dignos de uma personalidade do Hall of Fame do basquetebol , campeã mundial e medalhista olímpica.
Para o jogo decisivo com a Alemanha, agora que todos os jogadores constataram suas valências físicas e técnicas num confronto realmente para valer, fica uma sugestão. Não abdiquem, agora mais do que nunca, do pouco, bem sei, que assimilaram e treinaram com afinco. Escudem-se nessa pequena garantia de unidade, de equipe, de coleguismo e de apoio mútuo, e sigam as normas de seu técnico, com confiança e respeito, com abnegação e sacrifício, e acima de tudo, com a mais alta consideração pela camisa que vestem, sem arroubos egoístas e aventuras inconseqüentes. Tornem a conscientização de suas deficiências em uma plataforma de superação responsável, aquela que transforma derrotas em vitorias, injustiças em merecimento, tornando-os dignos de admiração e reconhecimento. Não precisam bater para ganhar, basta que joguem basquetebol.
Amém.
16 Julho 2008
AGORA É QUE COMEÇA...
Acredito que até o presente momento, o grande adversário da seleção venha sendo a alimentação fornecida pelo hotel da delegação, pois já são três os casos de intoxicação estomacal que, segundo a reportagem do UOL-Basquete, tirararam o Moncho do sério, nas críticas dirigidas à CBB pela ausência de um nutricionista no controle dos alimentos fornecidos. É uma situação bastante séria, pois bastam algumas colheres de leite estragado (talvez o responsável pela intoxicação do Baby, segundo os médicos gregos que o atenderam), para derrubar meia equipe.
No mais, o treino contra os libaneses (que me desculpem a constatação...) somente teve importância para um ou outro jogador ainda inseguro em sua produção, que para alguns comentaristas é provocada pela pouca experiência internacional, mas para mim trata-se mesmo de deficiências nos fundamentos do jogo, haja visto que, mesmo ante uma fraquíssima seleção, a defesa fora do perímetro fracassou inúmeras vezes, principalmente no bloqueio de arremessos de três, e em muitos passes errados para os pivôs.
Defender o indefensável, é tarefa muitas vezes enganosa, pois gregos, alemães ou neo-zelandeses estão muito além do arremedo de equipe apresentada pela seleção libanesa, que sequer se classificaria entre as oito equipes do nosso campeonato nacional. Soou meio constrangedor os esgares ufanistas do narrador e alguns comentaristas do SPORTV, mas que encontrou na Hortência a devida e equilibrada análise do que realmente ocorria naquele enorme e deserto ginásio.
Ficou para amanhã, o atestado de real competência dessa equipe em busca de uma classificação olímpica. Será de extrema importância que a mesma lute com todas as forças possíveis para tentar vencer a partida, pois o resultado da mesma estabelecerá os parâmetros necessários para aquilatar suas possibilidades dentro da competição. Trocar “um passe a mais...ou a menos”, contra uma nulidade defensiva libanesa é inconsistente, e até danoso, na medida em que “achem, ou achemos” que a equipe já absorveu a nova “filosofia”das tradições ibéricas, que integrou novas atitudes e comportamentos, fatores estes que qualquer técnico, mesmo iniciante, sabe muito bem, quanto de trabalho e treinamento ser necessário para adquiri-los. A dúvida que tenho, por longos e longos anos de prática, é a de que jamais testemunhei mudanças técnico-táticas, com no mínimo de 2-3 meses de prática intensa, e não 25 dias e quatro jogos amistosos, como foi o caso desta seleção.
Essa constatação, explica a manutenção do sistema único mantido pelo Moncho, agregado ao seu princípio de “um passe a mais”, que vem sendo aplicado pelos jogadores, ainda tentados pelo livre arbítrio a que estavam acostumados, mas que estarão à prova logo mais, quando a bola subir realmente para valer. À partir daquele momento constataremos a validade do que foi treinado, do que foi ou não absorvido e assumido nas ações defensivas e ofensivas, nas atitudes e comportamentos, na obediência ou não ao comando central, na busca do coletivo, ou na inexorável recaída daqueles que confiam somente em seus tacos, vício arraigado pela conivência e cumplicidade de uma geração de técnicos voltados ao prático e pouco trabalhoso sistema único de jogo.
No entanto, quem sabe, possa vir a baixar uma nesga de lucidez e alguma coragem técnico-tática que ouse transgredir essa esmagadora mesmice internacional, algo como jogar em quadra o que temos de melhor na armação, dupla de preferência, e três jogadores de briga dentro do perímetro interno, forçando os gigantes gregos às faltas, e abrindo espaços para os arremessos de media e longas distâncias, com um mínimo de liberdade e equilíbrio, somente possíveis com a qualificação dos passes e dos dribles incisivos. E muito além da necessária defesa aos arremessos de três da equipe grega, a busca incessante dos rebotes, principalmente os defensivos, darão a tônica do jogo, se quebradas e anuladas forem as segundas chances de arremessos de cada ataque grego.Temos de ter em quadra, pelo maior espaço de tempo possível nossos melhores reboteiros, gerando equilíbrio e posterior supremacia sobre o ponto de partida de todo sistema de jogo grego, seu domínio neste fundamento.
Será uma tarefa enorme e cansativa, desgastante, mas que é o preço a ser pago se quisermos ascender à magna competição, as Olimpíadas.
Que os deuses os ajudem, e a nós também.
Amém.
Novo blog - http://WWW.paulomurilo.com
14 Julho 2008
CORAGEM E DECISÃO...
“Desejo a todos os jovens do Brasil que desejem seguir a carreira de jogador de basquete que sejam diferentes, acima de tudo e de todos, só assim vocês conseguirão entrar em uma quadra e serem alguém. Se forem iguais, a quadra os rejeitará, ali não é lugar para igualdades, abs, WM”.
Dessa forma, o grande Wlamir Marques encerrou sua entrevista ao Jones Mayrink do blog Dunkover, onde expôs brilhantemente seus comentários à respeito do momento preocupante por que passa o basquete brasileiro.
E respeitosamente faria um adendo: E quando essa negativa igualdade ocorre entre todas as equipes internacionais, nacionais, regionais e municipais, onde é praticado um basquetebol clonificado num principio técnico-tático idêntico a todos, numa aceitação indiscutível e anacrônica?
Quando conheceremos algo de novo, aquele algo que impulsionará o grande jogo para fora deste imposto sistema globalizado?
Hoje, assistimos aos jogos iniciais do Pré-Olímpico, e o que constatamos, senão a repetição tediosa e monocórdia de um sistema de jogo praticado desde Cabo Verde até a possante Croácia, onde a colocação de um embate 5 x 5 nada mais é do que o confronto dos 1 x 1, 2 x 2, 3 x 3, 4 x 4 e 5 x 5, de carimbados e rotulados jogadores em suas posições especializadas, que quanto mais preparados forem nas mesmas, maiores as chances de vitoria de suas equipes, num carrossel de exibições personalizadas que contrastam frontalmente os discursos coletivistas de seus técnicos. É o sistema de jogo que levou às alturas os cracões da NBA, propiciando aos mesmos suas performances de gala, protegidos pela crueza não intervencionista de indesejáveis, e até punidas pelas regras especiais, flutuações e coberturas defensivas. É um modelo vencedor para aquelas circunstâncias de jogo, mas que quase sempre sofre severas restrições quando sob a égide das regras internacionais. No entanto, num processo global , onde os poderes de mídia e de movimentações bilionárias de recursos, passou a ser cartilha única para o restante do mundo, com um único e alentador porém, sua inadequação à realidade de um basquete regido por regras que, onde algumas equipes tendem a anular tão globalizado poderio.
Incrivelmente, com algumas e inteligentes adaptações, as equipes européias e a argentina em particular, ao utilizarem-se de dois efetivos armadores em quadra, conseguem ampliar em muito as opções ofensivas, mesmo que obedeçam as movimentações padronizadas do sistema comum a todos. E é esse sutil pormenor que nos enche de esperanças numa saudável contrafação ao abominável sistema que escraviza e engessa a todos. Até lá, veremos pivôs virem até o perímetro externo provocar corta-luzes, um mar de passes lateralizados em busca dos arremessos de três livres, não um, mas “muitos passes a mais”, conforme a cartilha vigente, e uma ausência de criatividade ante defesas zonais.
Tenho a nítida impressão de que os americanos tenderão a quebrar, numa incoerente ação, os grilhões que os prendem ao sistema NBA, isso porque, ao sentirem na pele os retumbantes fracassos nas três últimas grandes competições internacionais, procuraram no meio universitário, tradicionalmente aberto ao novo, à pesquisa e ao estudo competente, o embasamento para, com seus profissionais de primeira linha, demoverem o muro que eles mesmo construíram. E talvez, após a Olimpíada de Pequim, tenhamos a presença de algo realmente novo, de algo que se confrontará com aquelas equipes européias classificadas e a argentina, que com suas formas diferenciadas de jogar , os inspiraram na busca de uma formula para vencê-las. Será um belo embate de escolas , onde o aluno aplicado tudo fará para derrotar seus inspiradores mestres.
E nós, na luta para uma classificação, junto àqueles países que comungam da mesma fonte, o basquete pasteurizado presente ao Pré, com talvez uma única exceção grega, ainda não plenamente demonstrada, que faremos?
Se algo de diferente e impactante deveríamos apresentar, em momento algum passa pela mesmice técnico-tática que apresentamos nos jogos preparatórios, pois posição por posição, somos inferiores aos nossos mais temidos rivais, excetuando-se o Spliter, que é o melhor pivô de todos. Mas é muito pouco para nos impormos com decisão, o que nos leva a um impasse, que nem “um passe a mais” resolverá a contento, a não ser que subvertamos a ordem vigente, aquela que esperam de nós, a obediente aceitação do sistema único.
Que tal entrarmos, mesmo na movimentação usual, com os dois armadores em quadra, alimentando os três homens altos contínua e sistematicamente, empurrando a defesa para dentro do perímetro, forçando-os às faltas pessoais, e, propiciando voltas de bola de dentro para fora do perímetro para arremessos livres e equilibrados, e principalmente, agilizando o sistema defensivo, imbuindo-o de velocidade antecipativa e atenta, originando os contra-ataques tão ao nosso gosto e capacidade?
Serão três jogos decisivos, três únicos jogos, onde cansaço não pode ser desculpa para ninguém, que plagiando a grande Hortência, terão o tempo que quiserem para descansar ao se classificarem, e mais ainda, repetindo as palavras do também grande Wlamir, que ali (a quadra ) não é lugar para igualdades.
Que sejam felizes, audazes, e acima de tudo corajosos.
Amém.
Novo blog - http://WWW.paulomurilo.com
13 Julho 2008
NOVO FORMATO
Prezados leitores, a partir de amanhã, segunda feira 14, estará na web um novo formato do blog, mais abrangente e elucidativo, com buscas de conteúdo, categorias específicas, links, recebimento de matérias por e-mail, assinatura de FEED, e um pouco mais adiante, vídeos técnicos, bibliografias e pesquisas em PDF. Foi um presente de meu filho, basqueteiro e excelente designer.
Por mais duas semanas publicarei nos dois endereços simultaneamente, até que todos se acomodem no novo formato.
Muito obrigado a todos, de coração
Paulo Murilo.
ENFIM, SALVO...
Na sexta-feira que passou experimentei um misto de alegria e alivio, por ter, depois de longos 5 anos, conseguido salvar o único filme didático, baseado num campeonato mundial aqui realizado, do desaparecimento total e irremediável. Quando coordenador do Laboratório de Tecnologia Educacional da EEFD/UFRJ em 1971, propus à CBB a realização conjunta de um documentário em 16mm, sobre o Campeonato Mundial Feminino que seria realizado naquele ano em São Paulo, com sub-sedes em Brasília e Niterói. A EEFD cederia o equipamento de filmagem e participaria de um rateio na compra de negativos e aluguel de estúdio de som, e a CBB com as despesas de revelação, copiagem, transporte e acomodações para as sedes dos jogos. Trato feito, fomos à luta, que não foi fácil, dada à precariedade dos equipamentos, uma simples câmera Paillard-Bolex, sem tripé, uma editora manual amadora, e um entusiasmo enorme.
Filmei em Brasília inicialmente, por lá estarem a vice-campeã mundial Coréia, e a vice-campeã européia, a França. As coreanas, que praticavam um basquete diferenciado e extremamente veloz, mereceu uma documentação mais abrangente, inclusive em seus treinos, fato que me induziu a eleger aquela inovadora seleção, como um dos elementos básicos de estudo no documentário. Quando do término da partida entre aquelas duas equipes, com a vitoria da Coréia, embarquei praticamente de carona no avião das delegações, saindo do mesmo aqui no Rio direto para o Laboratório Líder, a fim de tentar a execução de um copião, a tempo de levá-lo no dia seguinte para São Paulo. A empreitada tinha como objetivo mostrar aos técnicos e jogadoras a equipe que enfrentariam naquela noite, numa talvez tentativa pioneira de estudo de imagens no campo do planejamento esportivo, hoje corriqueiro com o advento do vídeo. As imagens foram mostradas, estudadas e analisadas, ajudando um pouco à equipe brasileira levar de vencida as coreanas, garantindo o terceiro lugar naquele campeonato.
Outros jogos foram filmados em São Paulo, originando ao final um bom e extenso material para ser editado, montado e narrado por mim, já que não possuíamos verba para contratar especialistas do ramo. Após alguns meses de trabalho cansativo, e correndo atrás das parcas verbas prometidas, eis que ao final das contas, praticamente todo o filme foi financiado Pela EEFD.
Ao ficar pronto, em sua montagem final na forma de documentário técnico-didático, foi o mesmo aceito em algumas escolas de educação física, além de ter sido requisitado a um preço de custo pelas federações da Australia e Estados Unidos. Uma outra cópia foi ofertada ao ISEF de Lisboa, além das cópias da CBB e da EEFD.
Passados mais de trinta anos, eis que o desgaste natural das cópias aconteceu naturalmente, e quando o Prof.Ricardo da EEFD, me comunicou que não mais era possível projetar a copia lá existente, conclui que o filme havia se extinguido. No entanto, numa faxina no sótão de minha residência, encontrei os negativos de imagem e de som em umas esquecidas latas, já em adiantado estado de liquefação daquelas matrizes. Corri ao Laboratório especializado, e pedi um orçamento para tentar salvar a obra. Foi de 6 mil reais, quantia que não podia arcar pessoalmente. Por isso, com a recusa da EEFD em ajudar, procurei a CBB, na pessoa de seu presidente, na tentativa de manter vivo aquele documento que contava uma das mais belas competições realizadas em nosso país. O presidente da CBB não se interessou, e deixei, por não ter a quantia disponível, os negativos no laboratório. Cinco anos se passaram, quando recebo um encomenda de Portugal com uma cópia em razoável estado, por não ter sido sido projetada com freqüência, mas com as marcas do envelhecimento. Voltei ao laboratório, e desta vez o orçamento ficava mais em conta, pois somente havia a necessidade de um banho de limpeza em ultra-som da cópia e a telecinagem em DVD, num total de aproximadamente 800 reais. Paguei a restauração em três etapas e na sexta-feira pude ter de novo em mãos aquele filme tão importante na história do basquetebol brasileiro. Infelizmente, os negativos de som e imagem estão estocados sob refrigeração no MAM, a espera, quem sabe, de uma restauração mais completa e profissional, mas muito aquém de minhas possibilidades financeiras. A copia e o DVD restaurados apresentam as marcas indeléveis do tempo, mas mantém a mensagem histórica em um conteúdo que custou muitos sacrifícios e negativas em salvá-los.
E gostaria de terminar este honesto relato, comunicando ao grego melhor que um presente, que sua negativa em colaborar com a restauração de um documento que conta uma parte da história do nosso basquete, que ele prometeu por duas vezes em seus dois discursos de posse , defender, hoje está a salvo, não por que assim eu o quis, e sim por merecer continuar vivo e atuante para enriquecer os jovens técnicos, jogadores, dirigentes e jornalistas, que se interessarem pela história e tradições do grande jogo entre nós.
Em breve, colocarei à disposição de quem se interessar pelo filme, cópias em DVD por um preço simbólico, além de duas cópias que farei chegar a Biblioteca Nacional, para ai sim, ficar garantida a perpetuação da humilde obra.
Desta vez os deuses ajudaram a causa do soerguimento do basquete, dando aquela ínfima, porém importante ajudinha , entre as muitas que ainda faltam ajudar.
Amém.
09 Julho 2008
E NÃO DEU OUTRA...
E não deu outra, infelizmente. Bastou uma equipe pressionar de verdade nossos jogadores, em especial o Huertas e o Spliter, e pronto, o coletivismo quase desmoronou de todo.Passamos ao individualismo recalcitrante, para desespero do Moncho, que pela primeira vez esbravejou do banco, emitindo um eco que reverberou no ginásio praticamente vazio. Não fosse a qualidade incontestável do nosso armador, e da pujança reboteira na defesa, e a vaca teria ido pro brejo de vez. E de repente,um estafado Huertas praticamente tropeça na bola, sendo por uns pouquíssimos minutos( salvo engano, 3 ou 4 ) substituido pelo Fulvio que de cara, cercado por dois australianos perde a bola e a tranqüilidade por não agüentar o tranco, forçando a volta rápida do Huertas numa hora de decisão. E tudo isso lá pelos idos do segundo tempo.
Quanto ao Spliter, toda a carga possível dos pivôs australianas foi tentada sobre ele, que se eximindo de esgotar seu estoque de faltas propiciou um mar de rebotes ofensivos australianos. Com a possibilidade de um segundo ataque, o jogo pendeu para eles de forma natural e óbvia. Os outros pivôs até que não foram mal, mas como enfrentavam uma defesa poderosa e bem distribuída, poucas oportunidades tiveram de sucesso
Para variar, nossos alas falhavam seguidamente na defesa, permitindo infiltrações frontais e laterais, que em algumas e importantes fases do jogo forçaram os pivôs a cometerem faltas nas tentativas de cobertura, fator este que se não for urgentemente corrigido, será fatal contra gregos e alemães nos jogos decisivos da semana que vem.
Sob tal pressão, é que pudemos aquilatar as deficiências gritantes nos fundamentos do jogo, principalmente nos dribles e nos passes incisivos para o miolo da defesa australiana, o que ocasionou uma distribuição aleatória dos mesmos, sem a precisão dos jogos anteriores, onde a flacidez defensiva propiciava a enganosa sensação de coletivismo tático. Como a função primordial de uma boa e severa defesa é a de “dividir para destruir”, bastou os australianos interromperem pela anteposição as linhas de passe da nossa equipe, para determinarem os rumos da partida. Além do mais, tal posicionamento defensivo expôs a instabilidade de nossos “especialistas” nos três pontos, fato que já havia sido mencionado pelo próprio Moncho. E mais ainda, desnudou a premissa defendida por muitos, de que experiência se ganha jogando, quando na verdade ela é mais produto de muito treino, aprendizagem técnica e específica, culminando com os jogos. Para quem duvida, espelhem-se no exemplo do vôlei, que treina, inclusive, em dias de jogo.
Uma seleção para disputar um torneio de vida ou morte como esse Pré-Olímpico, não pode prescindir de jogadores testados, experientes, treinados e calejados pelo processo de maturação vivencial, que são os pré-requisitos para enfrentarem equipes que possuem este perfil. Ao olharmos o banco de nossa equipe no jogo de hoje, percebemos que se antes um dos jogadores não participava dos jogos anteriores, hoje já eram dois, e a continuarem as dificuldades e deficiências, logo logo, serão quatro. E nesse momento, lastimaremos a imprevidência e falta de planejamento adequado à importância da competição, planejamento este eivado de atitudes politiqueiras e projeções de fictícia realidade, como se tapar o sol com uma peneira fosse algo a ser admitido como natural e sem remédio.
Teremos à partir da semana que vem dois grandíssimos problemas, já que nossos adversários, pelo favor prestado pelos já classificados australianos, puderam captar preciosas informações a nosso respeito, a começar pela impossibilidade da seleção manter um determinado nível de atuação na ausência, mesmo momentânea do Huertas, o que os levarão a exercer uma fortíssima carga defensiva sobre o mesmo, sabedores que são da improvável capacidade de seu substituto, quando atua sozinho na armação. O mesmo processo será exercido sobre o Spliter, quebrando nossas mais atuantes referências. Com estas ações provocarão a atitude que sempre esperam de nós nos últimos tempos, a de partirmos para o individualismo irresponsável e previsível.
Como poderá o técnico espanhol enfrentar tal evidência? Só vejo uma solução, que já tentou tímida ou de forma disfarçada em alguns momentos, a de atuar com os dois armadores que possui ao mesmo tempo, pois desta forma, e contando com uma melhora na auto-estima do Fulvio, possam os dois multiplicarem também por dois as dificuldades dos adversários ao pressioná-los, e propiciarem mais espaços para os arremessos de media e longa distâncias, somente possíveis com o substancial aumento de velocidade nas infiltrações e nos passes . Assim como, dotar o Spliter de um companheiro que o cubra e bloqueie os pivôs adversários, ajudando-o a não cometer faltas pessoais, habilidade esta que somente o Probst possui nesta seleção.
Ou pode deixar tudo como está, agindo e jogando como vem fazendo, torcendo para que nossos adversários não atuem melhor do que já atuaram até agora, partindo do principio globalizado, de que sendo idêntica a forma de jogar entre todos os participantes, vencerá aquele que no dia decisivo possuir nas padronizadas posições jogadores que se sobressaiam sobre os adversários, numa roleta de improvável perspectiva, contudo com “um passe a mais”.
Que não nos enganemos, e os australianos já nos avisaram, que quando a bola subir na próxima terça-feira, independendo de que adversário for, teremos de nos conscientizar de que, por melhor que seja um técnico, por melhor que seja um sistema de jogo, por melhor que esteja nosso estado de espírito, uma seleção não muda em 20 dias, nem em 200, se não estiver lastreada em um planejamento a longo prazo, que priorize a base e a especialização de seus técnicos, assim como na qualidade de seus dirigentes, o que, infelizmente, ainda não é o caso.
Que os deuses nos ajudem se merecermos a classificação, que nos ajudem mais um pouco, nos mostrando e iluminando a trilha perdida pelam omissão....de nos todos.
Amém.
.
OS DESAFIOS DO MONCHO...
Quando o armador Huertas foi substituído pela primeira vez a 34seg. da metade do terceiro quarto, o técnico espanhol sinalizou sua predisposição de mantê-lo por muito ou todo o tempo de jogo quando a disputa for para valer, já que se convenceu de que o excelente armador não tem um substituto de seu quilate na equipe, e que praticamente todo o seu embasamento técnico-tático depende diretamente da produção daquele jogador, calejado nos embates físicos contra os duros e insistentes marcadores europeus, ao contrário do Fulvio, que se perde bastante quando assediado daquela forma, mas que é capaz de armar com eficiência quando a equipe adversária cai em uma marcação zonal, que foi o que ocorreu no jogo de hoje. Que a turma que preconiza a impossibilidade de um jogador “no basquete moderno” atuar por um longo tempo, se situe perante a crua realidade de que no caso de nossa seleção, não só ele, o Huertas, como o Spliter terão de se manter em quadra pelo maior espaço de tempo possível, se quisermos levar de vencida gregos, alemães e o outro adversário nas semi-finais. E que não esqueçam, que essa possibilidade é possível e viável no basquetebol FIBA, com quatro quartos de 10min.,e não quatro de 12, como na NBA.
E no caso do Spliter, a dificuldade será bem maior, pois os adversários, sem duvida nenhuma, concentrarão seu poder de fogo ofensivo em cima do excelente pivô, a fim de forçá-lo a faltas no menor tempo possível. E é nesse ponto, que uma outra sutil pista foi deixada no jogo de hoje pelo inteligente Moncho, já que pela primeira vez, e por pouco, porém esclarecedor tempo, pudemos ver a dupla Spliter/Probst dominarem as tabelas e se protegerem mutuamente das faltas pessoais, já que ambos, muito rápidos e ágeis completaram seu pequeno recital num rebote em dupla e uma finalização em bandeja do Probst após um passe quadra a quadra do Spliter, lembrando os bons tempos da dupla Israel e Gerson. Os demais pivôs poderão complementar a dupla, mas com um aproveitamento bem menor, já que mais lentos que aqueles.
O outro problema que exigirá do Moncho uma enorme e paciente catequização, é sobre a atuação dos alas, pois os dedos acostumados aos sensíveis gatilhos da linha de três, como os do Alex, Marcelo, Duda e Tavernari, se inflamam ao menor toque com na bola, estando marcados ou não, no frêmito incontrolado de um arremesso consagrador. E é nesse pormenor que o Moncho mergulha de cabeça na exigência daquele ”passe a mais”, quando o tiro passa a ser o produto do maior posicionamento equilibrado possível, mas que fere profundamente hábitos adquiridos em muitos anos de liderança e conivência clubística. Se conseguir refrear tais impulsos, naqueles decisivos momentos em que a balança penderá para o lado da equipe mais centrada e controlada em campo, quando arremessos deverão ser desferidos com a possibilidade real de retomadas em caso de falhas, ai sim, poderemos aumentar em muito nossas chances ante equipes mais rodadas e experientes. Creio ser este o mais complexo desafio a ser enfrentado pelo espanhol, além do outro tão ou mais complexo, fazer com que esses mesmos alas se posicionem razoavelmente bem defensivamente, já que, mesmo exercendo a marcação dos pivôs por trás, nosso miolo de garrafão tem se portado a contento nos embates embaixo das cestas.
Finalmente, o grande óbice, a grande pedra no sapato do técnico espanhol, como assessorar com qualidade as ações do Huertas, que tem se portado muito bem no comando, execução e finalização do sistema cadenciado, que aos poucos vai sendo aceito e incorporado pela equipe, senão rever um posicionamento que se predispôs a adotar logo em sua chegada ao Brasil, a de atuar com dois armadores e três homens altos e rápidos, que poderia se tornar um excelente fator- surpresa em determinados e cruciais momentos em partidas decisivas. Mas para tanto, torna-se necessário uma predisposição do Fulvio em assumir-se integralmente, e não timidamente como vem agindo nos últimos jogos. Os três homens altos e rápidos ele já tem, faltando somente um outro habilidoso armador. Daí eu ter lastimado muito a não convocação de um terceiro e técnico armador, o que configuraria e exequibilizaria o projeto inicial do Moncho. Infelizmente, sua ausência em quadras nacionais, o fez refém de “opiniões abalizadas” de quem o deveria assessorar, o que não foi feito com o devido conhecimento de causa, por quem não entende e domina os sutis detalhes do grande jogo, aqueles detalhes que se espraiam muito além dos ínfimos limites de uma prancheta e de um lapitopi caipira, além de outros interesses cebebianos.
É possível classificar? Se o Moncho equacionar a contento as notórias limitações que lhes impõe uma seleção mal convocada e heterogênea, talvez sim, pois em sua luta desigual possam os deuses unir e tornar humildes, mesmo um pouquinho, tantos egos conhecidos, e convenientemente calados ante a liderança do senhor ibérico. Se manterão o recato, é o que veremos quando a bola subir de verdade. Oremos então.
Amém.
07 Julho 2008
E A BOLA SUBIU...
E a seleção do Moncho estreou em terras européias. Para um primeiro embate saiu-se relativamente bem, pois lutou de igual para igual em grande parte da partida, mas, como já era esperado, apresentou as mesmas três deficiências que a tornam extremamente vulnerável contra equipes organizadas e cadenciadas, e com fortíssimo jogo fora do perímetro, basicamente nos arremessos de três pontos. Quais as três deficiências, que já se tornaram crônicas em nosso basquetebol?
- Como não temos entre nós uma formação de alas que desenvolvam habilidades nos fundamentos próximas a dos armadores, que é lugar comum nas equipes européias, e principalmente americanas, ficamos presos a um só armador, sobrecarregado pela responsabilidade de manter o controle da bola em poder da equipe, com um mínimo de apoio quando pressionado, ao contrario dos europeus , americanos e argentinos, que atuam permanentemente em duplas de apoio continuo, sempre estaremos em desvantagem, que seria bastante atenuada se mantivéssemos em quadra dois armadores, para duplicar as opções ofensivas, e agilizar a marcação dos especialistas de três pontos adversários. Como somente levamos dois armadores, um dos quais sem a devida experiência e vivência internacional, veremos nossos adversários de peso incidirem forte carga defensiva exatamente sobre esse armador, no que já foi ensaiado no jogo de hoje, nas pequenas e sutis armadilhas em dobras e exporádicas pressões toda a quadra. Que não nos enganemos, pois esta será uma arma a ser utilizada contra nós logo que a bola subir nos jogos para valer. E quando isso ocorrer, lamentaremos a não convocação de mais um armador experiente, que poderia muito bem ter embarcado no lugar de algum daqueles jogadores que pouco ,ou nada serão utilizados na hora da verdade, já que frutos de um bem executado lobbie promocional.
- Como já era previsto, mesmo que as estrelas iniciais não tivessem saído da equipe, o sistema de ataque do técnico espanhol é rigorosamente o mesmo que utilizamos desde sempre ( da base ao adulto...), com um pequeno adendo, a exigência “do passe a mais”, cuja maior e inteligente função é a tentativa ( bem sucedida hoje...) de cadenciar, frear a nossa costumeira volúpia ao atacar. Mas de tanto usar o breque, morremos várias vezes com a bola nas mãos, e outras tantas utilizamos não um, mas vários e inócuos passes a mais, numa ciranda bem apreciada pela sonolenta defesa grega. Porém, convenhamos, progredimos bastante na defesa interior do garrafão, e na captação dos rebotes, onde o Spliter no primeiro quarto, e o Probst no último, deram mais do que conta do recado, prevendo-se a possibilidade de que se atuassem juntos o domínio seria ampliado e determinante. JP Batista e Murilo não possuem tal vigor, sendo o primeiro extremamente lento nas ações e no raciocínio tático. Mas, sempre um mas, na defesa fora do perímetro foi um desastre só, pois 33 pontos da equipe grega foram alcançados em arremessos de três, fora as penetrações altamente facilitadas pela notória fragilidade defensiva de nossos alas, com exceção do Alex. Num capitulo à parte, o que representa para a equipe em termos técnico-táticos a presença do Baby, que parece estar em qualquer lugar, menos em uma quadra de basquete?
- Finalmente, nosso venerável e insistente tendão de Aquiles, a fraqueza e até desconhecimento de algumas decisivas particularidades dos fundamentos do jogo, principalmente o drible, a finta, a marcação pessoal, e ai sim, o total e inenarrável desconhecimento do que venha a ser um corta-luz, cuja construção ( que pode ser até lenta e pausada...), elaboração e conclusão, foi magistralmente executada pela equipe grega, em todas as vezes que foram tentados durante o jogo. Espero que nossos jogadores (pelo menos aqueles mais estudiosos e atentos...) possam ter captado as ações, das quais foram protagonistas passivos, a fim de entenderem de uma vez por todas as nuances e sutilezas de um bem elaborado corta-luz. Também temos de reconhecer a fraqueza de alguns de nossos jogadores, ainda não preparados para assumir uma seleção nacional, ainda mais em um torneio de tão alto nível e responsabilidade que vai muito além de suas capacitações. Tavernari, Duda, Marcus, Fulvio estariam muito bem na seleção do Sul-Americano, onde teriam tido a oportunidade de desenvolver seus ainda insipientes talentos, jamais em uma seleção que necessita dramaticamente de jogadores experientes e calejados na dureza de uma competição decisiva. Drudi, os Hélios, Marcio, e quem sabe, o próprio e renovado Rogerio, sem duvida nenhuma teriam lugar nessa seleção, não fosse o acumulo descomunal de erros e equívocos perpetrados por uma administração confederativa totalmente alheia às necessidades e carências do basquetebol brasileiro., num atestado de incompetência total.
Mas se é o que temos, revejo e reavalio o pedido que sempre faço, oremos aos deuses, contritos e esperançosos em uma frágil e tênue esperança de classificação, como um alento, um sopro de possibilidade.
Amém.

