Basquete Brasil
Discute a atualidade da modalidade no Brasil, e suas implicações a um possível soerguimento técnico.
27 Junho 2008
DIFÍCIL, MUITO DIFÍCIL...
Dificil, muito difícil analisar uma seleção tão fragmentada e heterogênea como essa. Apesar dos esforços honestos e competentes do técnico espanhol, que em nada modificou o sistema de jogo largamente conhecido por todos os integrantes da equipe, tanto os que atuam fora do país, como os da terra, pois se trata de um sistema padronizado mundo afora, introduzindo somente um novo fator, a cadenciação européia, com definições após os 20 seg. de posse de bola, e a importância que dá ao “um passe a mais”, como que tentando frear ao máximo a proverbial volúpia ofensiva de determinados e conhecidos pel....digo, jogadores que dirige mais patriarcalmente, que tecnicamente. E assim age na esperança de que nos futuros e decisivos momentos ,na grande e decisiva competição que se avizinha, venham os mesmos obedecerem seus conceitos e diretivas, cuja amalgama técnico –tática se baseia num único preceito, a paciência perante as dificuldades que se farão permanentemente presentes a cada minuto dos jogos em Atenas.
E nesse ponto cabem três elucidativas perguntas - Terá o Moncho tempo suficiente de treinamento, para mudar radicalmente hábitos enraizados a longos anos de estrada dos nossos mais experientes jogadores, principalmente aqueles que também por hábito, detém direitos adquiridos decisórios em suas equipes?
-Serão os atuais armadores os mais indicados na função de cadenciar o ritmo da equipe, quando defrontados por aqueles jogadores mencionados na primeira pergunta?
-Mudarão a maioria de nossos pivôs em seus posicionamentos fixos no recebimento dos passes, quando lhes é proposto tais recebimentos em movimento continuo e em velocidade?
Pela premência de tempo, na qual atitudes e hábitos se encontram solidamente estabelecidos, difícil não, impossível operarem mudanças expressivas que garantam relativo sucesso no Pré, a não ser por circunstâncias ambientais e comportamentais de caráter excepcional em partidas decisivas.
A fragmentação e heterogeneidade da equipe, motivadas pelas dificuldades em sua formação, onde convocações equivocadas preteriram jogadores mais indicados ao modelo proposto pelo técnico espanhol, expôs nesses dois jogos preparatórios contra a fraca equipe venezuelana, a falta estratégica de armadores de técnica individual refinada e experiência acumulada, que são os fatores mais determinantes na geração e variação rítmica no andamento de uma equipe. A proposta do Moncho , se levada ao seu mais alto determinismo, exigiria no mínimo contar com três ótimos armadores, para manterem um ritmo cadenciado, porém incisivo, veloz, mas calculado, inteligente, e corajoso. Temos somente dois, ambos pouco rodados se comparados aos europeus, numa posição em que somente alcançam o máximo de produtividade após os 28-30 anos.
Mas onde se encontram os maiores problemas quanto ao ritmo cadenciado preconizado pelo técnico, é o setor dos alas, pois quase todos eles são adeptos confessos das soluções rápidas, “gatilhos” mais instintivos que pensados e racionalizados, no contra-pé dos anseios acadêmicos do técnico espanhol. É nesse setor da equipe que terá as maiores dores de cabeça, por ser o grande tendão de Aquiles da seleção.
Finalmente os pivôs, mescla de velozes com pesados, dentro de um sistema de jogo que privilegia os primeiros, que, no entanto estão em inferioridade numérica ante os segundos, numa incoerência que pode ser decisiva nos jogos mais importantes. Um outro pivô rápido e veloz teria de fazer parte do elenco, bastando guindá-lo da equipe B, assim como o terceiro armador. Seria uma atitude lúcida, ante as deficiências que se fizeram presentes até a data de hoje, e que poderá cobrar juros muito altos se não forem corrigidas a tempo, que existe, que é factível, bastando ter a coragem de tomá-la, aumentando a possibilidade de um aumento de performance da equipe como um todo.
E tudo isso em uma analise ofensiva, pois quanto a defensiva, somente a ressaltar a positiva insistência na marcação individual pressionada, com as previstas deficiências presentes no manjado setor dos alas, e com um óbice lamentável, a permanente marcação dos pivôs por trás, que é uma marca das equipes espanholas, ao contrario das demais européias, que os marcam pela frente todo o tempo, permitindo que o numero de faltas seja reduzido, além de alterarem substancialmente a maneira de atacar dos adversários, obrigando-os a passes em elipse, bem mais fáceis de serem interceptados.
Assim vejo a equipe brasileira sob o aspecto técnico-tático, mas guardando sérias dúvidas quanto ao aspecto comportamental, principalmente em suas lideranças, já que provêem do Pré de Las Vegas, onde se insurgiram contra a comissão técnica, numa passagem lamentável e comprometedora de indisciplina coletiva, e que foi, apesar do secretismo da manifestação, exposta com todas as letras pelo hoje defenestrado Marcos, o único que teve a coragem de assumir o fato, pelo qual pagou sozinho, jogado ao limbo da modalidade. Temo que ao primeiro revés torne a ocorrer, pois quem faz um cesto, faz um cento, ainda mais quando um”estrangeiro” pode, convenientemente, levar a culpa. Torço para que ele faça valer sua grande experiência e perspicácia tão presente na gente ibérica.
No mais, é rezar aos deuses para que pequenos grandes milagres possam vir em socorro de um basquete tão aviltado e humilhado imerecidamente, face ao seu glorioso e irretocável passado. Oremos então.
Amém
A ESTRÉIA...
24 Junho 2008
COACH K...
Pronto, o Mike Krzyzewski soltou a lista de seus jogadores para as Olimpíadas de Pequim, com uma gradação de especialidades que é um verdadeiro chute em alguns e enraizados conceitos dos muitos, diria até, grande maioria de nossos técnicos e entendidos do grande jogo. Entendidos claro, em suas próprias convicções. Como explicar a “incompreensível” existência de três armadores puros e três alas-armadores tão técnicos e eficientes quanto aqueles, num país com a quantidade brutal de talentos que possuem, convocando tão somente UM pivô puro, um cincão como dizem exultantes, rútilos na visão mastodôntica que anteviam para aquela seleção, onde 2,12 m seria estatura desprezível? E completando a equipe com três alas puros e dois alas-pivôs ? O que pensa esse tal de coach K? Pois é meus caros entendidos, doutores dos sonhos inatingíveis de batalhas cruentas under basket, de dominação absoluta das “áreas pintadas”, da arte intimidatória, e dos tocos cinematográficos, como explicar tamanho descalabro? Um único pivosão? E dois alas que poderão ocupar tal cargo transcendental, somente dois? Quando o coach K afirmou após o mundial passado, que os americanos precisavam aprender a jogar como o restante do mundo, não estava brincando, e nem estava com as faculdades mentais alteradas. Simplesmente mencionou o óbvio, a nova realidade que teriam de enfrentar e se adaptar, se quisessem voltar ao topo do basquete internacional. O jogo dos mastodontes pesados e lentos tinha acabado, fato captado somente pelo D’Antoni do Suns, com seu basquete rápido e de mobilidade física total, e que foi paralisado em sua concepção pelo contrato do O’Neal. Não foi atoa que se transferiu para NY, em busca de sua concepção bloqueada em Phoenix. Mas o coach K não se rendeu às criticas e tentativas de se manter o status quo do basquete profissional americano, perdedor nos últimos torneios internacionais, e com aquele espírito renovador, somente encontrado no ambiente universitário, sempre aberto à pesquisa e busca do novo e do avançado, qualificou sua equipe, conceituando-a dentro dos preceitos vencedores de europeus e argentinos, para o encontro olímpico, onde atuando com dois armadores puros e três jogadores altos e habilidosos no ataque e na defesa, em movimentação constante e veloz, tentará superá-los dentro de seus próprios conceitos e técnica peculiar, onde pivosão nenhum se sentirá a vontade ao confrontar-se com seus velozes adversários. Então porque a presença de um único pivô pesado? Como ex-militar e bom estrategista, coach K o manterá como reserva tática, para aqueles momentos em que alguns de seus adversários escalarem um similar, tão pesado quanto o seu jogador. O que veremos, sem duvida alguma, é uma equipe longilínea, muito veloz, atlética, e talentosa nos fundamentos do jogo ofensivo, e muito mais, no defensivo, pois que fique claro aos entendidos, defesa também é fundamento, que deve ser bem aprendido, exaustivamente trabalhado, e centrado no arsenal técnico-tático de toda equipe que se preza. Desta base é que se estabelece o desenvolvimento ofensivo, que será eficiente na proporção direta ao sucesso defensivo. E o coach K bem sabe e conhece esses conceitos, que tentará provar e estabelecer na direção de profissionais, orientados em conceitos universitários, adaptados à realidade do basquete jogado e praticado fora de suas até agora inexpugnáveis fronteiras. E para o desgosto das carpideiras nacionais, presas ao espetáculo feérico e irreal da NBA, com seus astros multimilionários e arrogantes, que sempre voltaram as costas para o restante do mundo, inclusive, e em muitos casos renegando a volta às suas seleções nacionais, é tempo de uma mudança impossível de ser freada, pois em caso contrario tal esquema tenderá rapidamente a cair num descrédito de tal monta, que poderá abalar sua estrutura econômica, se um novo fracasso olímpico vier a ocorrer. Por tudo isso, assistiremos os profissionais mais bem pagos do mundo jogando o mesmo basquete praticado por aqueles não tão bem pagos como eles, obrigados pela obviedade técnico-tática que foram incapazes de adotar, com suas regras especificas e voltadas ao seu histórico egocentrismo. Dois armadores e três homens altos, rápidos e atléticos, sonho do Moncho ao aqui aportar, e sentir que a resistência seria grande, mas que aos poucos tenta estabelecer, apesar do descrédito daqueles que “acham “ que entendem o grande jogo, que torna-se pequeno para a grande maioria deles, cegos pela ignorância e pelo desconhecimento do que o mesmo representa para os verdadeiros e autênticos basqueteiros. Se ao concretizar tão radical projeto o coach K se fizer presente com dignidade e audácia nas Olimpíadas, mesmo assim será punido pela colonizada descrença daqueles cujos princípios de vida foram, são e serão ainda, por muito tempo, pautados por um tipo de supremacia exógena que nos esmaga e priva do raciocínio lógico e vital. Mas como não há mal que sempre dure, um dia as fichas cairão, e só peço aos deuses que esse dia não demore tanto a chegar. Amém.
21 Junho 2008
APOSTAS...E BLEFES
E no Clube Pinheiros em São Paulo, 12 clubes do Nacional e 8 da ACBB se reuniram para criar uma nova liga, que segundo eles, será reconhecida pela CBB, e terá sua data de fundação em 19 de julho próximo na sede do Flamengo. O nome proposto é o de Associação Nacional de Basquete (ANB), com ação já programada para a temporada 2008-2009, com a participação inicial de 16 clubes, e que caberá à mesma a gerencia dos contratos de mídia e patrocínios. A CBB aguarda a proposta dos clubes para se manifestar, o que coloca em dúvida se reconhecerá ou não a mais nova liga na praça.
Coincidência ou não, a data da fundação, 19 de julho, é véspera do término do Pré-Olímpico de Atenas, quando os 3 classificados já estarão conhecidos, minando substancialmente o poder do grego melhor que um presente, no caso de mais um fracasso de nossa seleção, poder esse, que se mantém altaneiro com a classificação da equipe feminina, apesar de não ter o mesmo cacife político que o masculino, afastado de muito das classificações olímpicas.
No entanto, os clubes, os mesmos que ajudaram e prestigiaram inicialmente a NLB, traída logo a seguir, e que deram, no caso dos paulistas, oportunidade de uma nova aventura ao fundarem a ACBB, que alcançou um grande sucesso com a sua Super Copa, esquecem que em ambas as iniciativas não contaram com o aval da CBB, ciosa em manter o controle das chaves do cofre e da administração dos 10 milhões de reais de suas dotações, que foram referendadas e aprovadas em recente prestação de contas.
Meses atrás, ouve uma cisão entre o presidente da CBB e o presidente da FPB, que também exercia a vice-presidência de assuntos externos, ou internacionais da Confederação. Foi uma separação litigiosa e de grande divulgação, colocando-os em campos opostos e profundamente “divergentes”. Era um momento em que o poder na FPB estava inseguro pela proximidade comprometedora com a CBB, que defrontava e impugnava qualquer apoio às tentativas de divisão no comando e administração dos campeonatos nacionais, principalmente pelos clubes paulistas. Naquela época, aventei a possibilidade de um acordo de rompimento público entre os dois mandatários, afim de que o controle da FPB fosse preservado, mantendo-se no poder ao colocar-se ao lado dos clubes e suas reinvidicações de administração de um campeonato nacional, através uma liga autônoma, na medida do possível, perante os estatutos vigentes da CBB, e que logo depois da procela, as relações seriam reativadas numa reconciliação tão ou mais dramática que o rompimento teatral exposto em rede nacional. E que no fim de tudo, as partes retomariam seus caminhos de domínio político, garantindo por mais tempo suas permanências nos “cargos de sacrifício”, sacramentando suas continuidades.
Talvez, e nessa decisiva encruzilhada, surjisse a solução que conciliaria os interesses conflitantes com os clubes, mas perfeitamente concordes com os dos dois dirigentes em questão, ou seja, comandando e administrando juntos na penumbra inescrutável as fatias indivisíveis (para eles...) do bolo financeiro, pseudamente na mão dos clubes, os mesmos clubes que elegem os presidentes de federações, que elegem o presidente confederativo, fechando um circulo vicioso que somente eles poderiam romper, se quisessem.
Claro, que ninguém deseja a desclassificação da seleção no Pré, que no caso de vitória reforçaria politicamente a atual direção, enfraquecendo, ou mesmo anulando mais uma vez, a nova tentativa associativa ou de liga de clubes. A data de fundação preconiza desde já um posicionamento estratégico ante a possibilidade factível de não classificação da equipe nacional, quando a posição do atual presidente se tornaria fraca e indefensável perante as exigências diretivas da novel entidade.
E se os cardeais da seleção recomeçarem seus discursos de insurgência a uma possibilidade de reconvocação para as Olimpíadas daqueles jogadores que pediram licença por motivos médicos, quando um deles declara que pediria desligamento imediato se aquilo ocorresse, numa intromissão ameaçadora ao real e inquestionável poder do técnico em fazê-lo, mesmo que contra a vontade de muitos, mas que é um direito dele, avaliando-o, inclusive, técnica e taticamente, numa apropriação indébita de um poder que absolutamente não tem, veremos, que os problemas ocorridos em Las Vegas retornarão avassaladores através um conceito absurdo de liderança que se instaurou no âmago da seleção, onde jogadores, com a divulgação errônea da mídia, estabelecem comportamentos que não se coadunam aos preceitos primários de disciplina hierárquica e respeito à autoridade de quem os lideram, seus técnicos. Ai sim, é que o perigo de não classificação se avolumará matematicamente, levando ao paredão, em caso de derrota, a situação diretiva do basquete brasileiro, o que beneficiaria em muito àqueles que a querem afastada, a começar pelos clubes que, por mais uma vez, almejam as chaves do cofre, mas não se unem nas eleições federativas, na contra-mão do que ocorrerá com a classificação da equipe, solidificando a posição do grego melhor que um presente, que definirá quem abre e fecha o bendito cofre, apoiando, ou não, ligas ou associações.
Será que é isso mesmo que se descortina nesse deserto de idéias e rasteiras politiqueiras? Será isso mesmo que desejam que ocorra? E se a data de fundação fosse 12 de julho?...
As cartas estão na mesa, abram-se as apostas...e os blefes.
Amém.
18 Junho 2008
O LEGADO DE UMA CAMISA...
“Não se pode matar uma jogadora para sempre. Mas as Olimpíadas, ela não joga. Não posso correr o risco de convocá-la”.
Em contra-ponto : “(...)Mas eu faria tudo de novo se ele me tirasse novamente”.
“Ele me vê como uma jogadora individualista. E eu acho que, em situações importantes, ele me pune e me deixa fora da quadra. Por isso, nunca vai dar certo”.
“Jogar coletivamente está sendo uma violência muito grande para ela. A Iziane simplesmente não consegue dividir espaço. O retorno dela depende de mudanças a médio e longo prazos. Hoje, não é possível. É necessária uma mudança radical de postura. Há uma diferença de pensamento muito grande entre nós”.
“Desde o juvenil, nós temos problemas na quadra(...)Quando joguei no Ourinhos, foi a mesma coisa”.( O Globo de 17/06/08)
E a pendenga por ai vai, célere e sem freios, como duas entidades à parte do espírito de seleção, repito, seleção, destino final e ansiado dos e para os melhores, onde achismos personalistas e discussões sobre o sexo dos anjos perdem validade e respeitabilidade. Em uma seleção nacional o técnico “está” técnico, onde o “sou técnico” se perde no vazio das pretensões de eterno continuísmo. Lembro a estupefação nacional quando o ex-ministro da Educação Eduardo Portella desafiou o sistema da intocabilidade e auto-deificação ministerial ao definir estar ministro, e não ser ministro. Perdeu o cargo, mas jamais a definitiva e emblemática razão. Não podem, técnicos e jogadores selecionados para defenderem o país em competições de alto nível, representando a elite momentânea de suas participações, auferirem poderes circunstanciais acima de suas reais competências, já que transitórias, em prazos e objetivos finais. A seleção nacional não pode ser utilizada como palco de discussões de caráter mandatário ou reacionário às suas pétreas (assim deveria ser) tradições e conceitos de nacionalidade, onde o desrespeito aos seus princípios básicos teriam obrigatoriamente sentido único, ou seja, uma única e decisiva chance de erro ou transgressão. Negar seus princípios não pode suceder qualquer possibilidade de repetição, tal qual um dogma, ao qual terá de se submeter todo aquele, que por suas inegáveis qualidades e justo merecimento, tenha a honra, a grande honra de vestir a camisa de seu país e pertencer à seleção de seus melhores representantes, sabedores a priori de que jamais poderão desonrá-la e traí-la. Essa tradição, a ser mantida e preservada, garantirá às gerações que se sucedem na história do país, a certeza de que, para lá chegarem e conquistarem o direito de envergá-la, necessitarão de muito trabalho, honestidade, respeito e entrega incondicional à missão que lhes estarão outorgando o povo desse país. Usar a seleção como vitrine de autopromoção, como muitos hoje o fazem, sequer disfarçando seus propósitos, ou estabelecendo “condições” para servi-la, é algo abominável e que tem de ser expurgado a qualquer preço, mesmo que tais subterfúgios contem com a criminosa omissão daqueles que dirigem e administram o poder confederativo.
Que cesse imediatamente esse bate-boca personalista e de parco interesse desportivo, e que desde já se incubam as partes atuantes em seguirem seus caminhos, dentro ou fora da seleção, pois novos obstáculos se aproximam céleres, com datas imutáveis e inadiáveis.
E que as camisas de nossas seleções jamais sejam negadas daqui para diante, já que para os recalcitrantes toda tentativa será marcada indelevelmente como um caminho de sentido único, ou seja, sem volta. Que assim seja.
Amém.
15 Junho 2008
UMA JUSTA CLASSIFICAÇÃO...
Que tristeza, quanta insensibilidade de um diretor de programação, que interrompe a transmissão de um jogo decisivo para a classificação olímpica do país que libera a concessão para que seu canal aqui funcione, ainda mais sendo nacional, trocando-o por um jogo de futebol que nada significava na classificação da Eurocopa. Simplesmente vergonhoso e abominável. O canal? SPORTV.
Mais tarde, organizou um compacto do jogo, quando pudemos apreciar o quarto final que nos deu a classificação, e ai sim, pudemos avaliar tecnicamente o que ocorreu em quadra, mas privando a todos da emoção em tempo real.
Foi um jogo de muitos erros, de parte a parte, revelando o alto grau de emotividade que envolveu a todos, dentro e fora da quadra. Como errou um pouco menos, nossa equipe saiu airosamente com a classificação para Pequim, com justiça e boas e generosas doses de heroísmo, dada às circunstâncias que envolveram a equipe durante e após o jogo contra a Bielorússia. A ausência da Iziane, com seu jogo personalista , e segundo ela , estelar, reorganizou a equipe em torno de uma atitude coletivista e uniforme, fator determinante na vitoria sobre uma equipe que faz do conjunto a sua grande arma, Cuba. E foi jogando em grupo, defendendo na antecipação (apesar de ainda marcarmos as pivôs por trás), e confrontando as armadoras cubanas com defensoras de habilidades e velocidades compatíveis com as mesmas, onde a Claudia, a Natalia e a Karla se batiam com adversárias similares, ao contrário do jogo contra a Bielorússia, quando a Claudia se viu batida seguidamente pela sua esguia e veloz armadora sem que fosse substituída nos minutos finais e decisivos.
Torna-se obrigatório o reconhecimento evolutivo e maduro de um grupo de jogadoras que participarão pela primeira vez de uma Olimpíada, principalmente a Francilene e a Natalia, prontas para embates mais decisivos num futuro próximo. A equipe, no entanto, padece de alguns óbices de difícil, mas não impossível solução, a começar pelo sobrepeso das pivôs Kelly e Graziene, que nos próximos dez dias de folga poderiam se submeter a um regime controlado que as livrassem de no mínimo 5 kg, para que nos treinos antecedentes à Olimpíada perdessem mais 5. Dez kilos a menos fariam enorme diferença nos rebotes que se fartaram de perder nesse Pré-Olímpico, assim como aumentariam substancialmente sua velocidade em quadra , tornando-as aptas no acompanhamento veloz de suas companheiras, e mais atuantes nas antecipações defensivas.
É de se elogiar o fato marcante da seleção ter atuado com duas armadoras, Claudia ou Natalia, e Karla, que tem formação muito mais de armadora do que ala, e somente lastimo não ter visto a s duas primeiras atuando juntas nos momentos mais difíceis dos jogos, principalmente contra a Bielorússia, quando imporiam um ritmo mais constante de ataque, pela possibilidade de opções nas assistências e maior dinamismo nos contra-ataques. É uma possibilidade que o técnico deveria estudar, na tentativa de compatibilizar duas excelentes armadoras dentro de seu sistema ofensivo, ainda mais quando o mesmo privilegia os cortes em direção à cesta permanentemente. A seleção está muito bem servida de alas, fortes, de boa estatura e capacidade defensiva elogiável. No entanto, peca no setor de pivôs, pelos problemas físicos que mencionei antes, mas que podem ser atenuados com uma boa dose de vontade e determinação. Se a seleção puder vir a contar com a Érica, teremos uma equipe mais competitiva no embate com as fortíssimas adversárias em Pequim. Aliás, por uma questão de justiça, e de coerência, somente a Érica ou a Karen poderiam ocupar a vaga deixada pela Iziane, porque não seguiram com a equipe por contusões graves, ao contrario da Adriana que pediu dispensa por motivos pessoais, que acredito os terem as demais jogadoras que compuseram a seleção em Madrid, com uma diferença vital, todas elas os superaram e foram com a equipe, e a Adriana não. Logo, a seleção estará pronta com o preenchimento da última vaga, a não ser que algum problema físico se manifeste antes dos Jogos.
E nesse ponto, uma palavra sobre o técnico da seleção, em defesa do qual recebi alguns desaforados comentários, deletados por não estarem assinados, ao qual peço que encare minhas criticas pelo lado eminentemente ético e técnico, jamais pessoal, ainda mais por não conhecê-lo pessoalmente. Se apontei falhas, o fiz sabedor que um dia no passado as cometi, e que observando, ouvindo e conversando com os grandes mestres com quem convivi, corrigi-as em grande parte, mas muitas outras ainda estão por corrigir, pois nunca, em tempo algum devemos dizer, afirmar e acreditar “que dessa água nunca beberei”. Você, permita-me o tratamento, tem um longo caminho ainda a percorrer, com poucos altos e muitos baixos, lei imutável da vida, que se compreendida e aceita, nos tornam capazes de saltos evolutivos e duradouros. A felicidade é feita de momentos, um dos quais vivenciado por você hoje em Madrid. Tome-o como uma dádiva desse momento de vida, e não de toda a vida. Em Pequim muitas lutas e dúvidas o assaltarão, e para tanto, sem promessas e quimeras de glorias, prepare-se com cuidado, muito estudo e observação, principalmente nos detalhes, por menores e imperceptíveis que sejam, pois deles advirão as grandes decisões, as possivelmente grandes vitorias, ou as sempre elucidativas derrotas. Desejo sucesso para seu trabalho, apesar das criticas feitas, e que continuarão a ser honestamente feitas.
Rendo minhas homenagens a equipe, que soube se soerguer perante as vicissitudes, e escreveu mais uma bela página do basquete brasileiro, tão esquecido e vilipendiado por aqueles que deveriam ajudá-lo, defendê-lo e divulgá-lo entre a juventude deste belo, porém mal-tratado país.
Amém.
14 Junho 2008
DIAGNOSE/CORREÇÃO...
Na formação dos futuros professores de Educação Física na UFRJ, quando dos estágios supervisionados e prática de ensino que os mesmos se submetiam para sua licenciatura, um dos itens de análise mais discutidos após as aulas dadas era aquele que quantificava sua capacitação de Diagnose/Correção, ou seja, a habilidade pedagógica de perceber erros e suas devidas correções no menor tempo possível. Sem dúvida alguma, treinávamos essa capacitação, que quanto mais estreita fosse, maior a qualificação do professor, ou mesmo o técnico, se seu encaminhamento fosse para o desporto.
Bem sabíamos que aquela capacidade somente se aprimoraria com muito tempo e larga experiência de observação, estudo e boas doses de pesquisa prática, que mesmo à parte de certos cânones acadêmicos pode ser realizada. Mesmo assim insistíamos no tema, provocando discussões e reflexões que buscassem e interiorizassem a necessidade do encontro incessante daquela qualificação. Diagnosticar e corrigir erros com a maior brevidade possível era a marca a ser perseguida por aqueles professores e técnicos, se quisessem obter a excelência profissional.
Bassul acredita na vaga e acha que o jogo serviu de aprendizado. Para ele, a equipe teve lampejos: “Com isso não se ganha vaga. Tomo decisões, que funcionam ou não. Tive de decidir manter o grupo cansado ou mudar peças-chaves”. Foi uma de suas declarações ao O Globo de hoje.
Essa declaração tem a ver com criticas que lhes foram feitas pela substituição das jogadoras reservas que equilibraram o jogo e passaram no placar, pelas titulares que falharam anteriormente. Naqueles minutos finais, somente uma das jogadoras titulares, a excelente armadora Claudia não poderia ter voltado, isso porque a sua substituta(?) Natalia era a única jogadora em quadra com velocidade lateral defensiva capaz de não perder o posicionamento clássico entre a esguia e muito rápida armadora bielorussa e a cesta que defendia, aspecto fundamental para que uma superioridade pontual fosse estabelecida se fosse ultrapassada pela mesma. E foi exatamente o que ocorreu com a entrada da Claudia, muito rápida e eficiente na armação do jogo, porém extremamente carente de velocidade nos deslocamentos laterais na defensiva. Desse momento em diante foram cinco as ultrapassagens da armadora adversária, frontal ou lateralmente à cesta, e conseqüentes assistências às jogadoras que ficavam livres pelas coberturas em desespero a que eram forçadas as pivôs brasileiras. A diferença no placar foi desfeita num momento do jogo em que tudo levava a crer numa vitoria de nossa equipe. Faltou ao técnico diagnosticar a deficiência em velocidade e posicionamento da Claudia, face a rapidez de deslocamento da armadora adversária, cuja devida correção jamais foi feita. Se estudioso for, e principalmente estiver preocupado em se exercitar nesse mister, o de reduzir ao máximo possível a nesga de tempo que separa uma diagnose bem feita de uma conveniente, e às vezes urgente correção, muna-se do vídeo do jogo e observe a enorme dificuldade da Claudia em caminhar, já não digo correr, lateralmente ante uma habilidosa armadora, assim como ela mesma o é. Quando esta habilidade estiver bem desenvolvida, daqui a alguns e prolíferos anos de estrada e dedicação, aí sim, poderá afirmar de si para consigo mesmo- Agora sou um técnico de seleção.
No jogo decisivo de amanhã, nunca essa capacidade de observação será tão exigida, já que duas situações extremas estarão presentes, a necessidade vital de vitória para ambas as equipes, e a importância mais vital ainda que será exercida na diagnose daqueles pequenos, porém decisivos detalhes técnicos e táticos, que exigirão uma competente e rápida tomada de decisões nas correções que se farão necessárias.
Espero que o técnico Bassul se ilumine na tentativa de pular algumas etapas desse processo, possível , mas muito difícil, já que faz parte de uma maturação e experiência de vida ainda a ser trilhada. No entanto, como muitos afirmam que os deuses são brasileiros, nada impede o acesso a um sonho, num momento delicado da seleção, após o justo desligamento daquela que era considerada a melhor jogadora da equipe, que terá pela frente uma adversária tradicional e perfeitamente batível, na medida em que uma boa dose de bom senso se coadune com um espírito de luta, e uma incansável vontade de vencer, com ou sem rodízios, mais burocráticos do que técnicos, que me perdoem aqueles comentaristas que afirmam ser impossível a um atleta (digo-o bem, um atleta...) jogar uma partida inteira, ainda mais se é a última e decisiva. Torço de coração para que consigam a classificação, pois a merecem.
Amém.
13 Junho 2008
O ALTO PRÊÇO DA...
Ao final do desastre de hoje, o técnico da equipe brasileira se sai com essa: “O nosso banco reagiu muito bem, e marcou como devia, mas naquele ritmo não agüentaria até o final...”. Leu a bola de cristal errada, além de esquecer que aquela seria a única oportunidade de vencer dentro de um panorama técnico eivado de equívocos e intervenções erradas. Naqueles momentos, onde as reservas Natalia, Mamá, Karla, Chuca e Francilene, com seus físicos enxutos, velozes, elásticos, pressionavam as adversárias de forma avassaladora, reequilibrando uma partida que até aquele momento, por força da nossa lentidão defensiva, inadequação física, se comparada às longilíneas e velozes bielorussas, apontava nítida vantagem das mesmas ao levarem de vencida nossas jogadoras nos rebotes e na conquista de espaços vitais aos arremessos, tanto fora, como, e principalmente, dentro do perímetro. Era notória a incapacidade de nossas robustas pivôs nas disputas corpo a corpo pela ausência de velocidade, e pela teimosa insistência de fazerem um jogo interior de passes no ataque partindo de posições fixas, facilitando as rápidas interceptações das defensoras.
Naqueles momentos em que o quinteto reserva estabeleceu o equilíbrio e conseqüente avanço no placar, sendo um jogo, cuja vitoria estaria decidindo a classificação olímpica, nenhuma desculpa de cansaço poderia sequer entrar em cogitação ante o desequilíbrio e as reações negativas das adversárias, numa situação em que uma boa margem de pontos deveria ser buscada até o ultimo alento, margem esta que caberia, se fosse o caso e necessidade, ser mantida ou ampliada, ai sim, pelas titulares. Foi o ponto nevrálgico muito bem apontado pela Hortência em seus pertinentes comentários no SPORTV.
Mas o técnico não viu, ou pressentiu a situação dessa forma, amarrado a um principio que vem sendo estabelecido por uma turma de pseudo-pesquisadores, de que um rodízio deve ser permanentemente estabelecido entre as jogadoras, para que a performance seja mantida constante. É uma tese estúpida, ignorante e totalmente contrária ao principio estratégico de que num determinado ponto, de uma disputa com forças iguais e armas semelhantes, sai vencedor aquela facção que se dispuser ao sacrifício, à exaustão física e à doação incondicional. Se aquele quinteto tivesse continuado na quadra, na única chance que tivemos dentro de um jogo desigual, surpreendendo um adversário superior fisicamente, sem duvida alguma estaríamos classificados agora, e teríamos, como bem apontou a grande Hortência, todo o tempo do mundo para descansar, com o passaporte carimbado.
E para dar um maior tempero a tão lastimável derrota, vem a estrela da equipe repetir seu colega da equipe masculina no Pré de Las Vegas, simplesmente se recusando a entrar em quadra por divergir do técnico, o mesmo que a levou para sua equipe em São Paulo a fim de vencer o campeonato nacional, o que ocorreu, reforçando sua posição de retorno à seleção brasileira, não mais como assistente, posição que declinou por se achar merecedor da posição principal. Ao tomar tal atitude, subtraiu seus conhecimentos ao grupo, à equipe nacional, onde ser técnico principal ou assistente não diferem em importância na transmissão dos mesmos, numa atitude personalista, oposta ao discurso atual de que o cerne de seu trabalho é baseado nos interesses do grupo e para o grupo.
Creio que agora ele deverá compreender que o comando transcende ao grupo quando decisões devem ser tomadas, e que no caso da rebelde jogadora deverá ser exemplar e definitiva, e que alguns princípios que considera fundamentais na sua concepção de grupo, não só podem como devem ser mudados na razão direta de uma situação técnico-tática, na qual um determinado segmento da equipe, não importando qual, se titular ou reserva, se coloca e se qualifica como insubstituível naquele estratégico momento onde o interesse maior do grupo, da equipe, é a vitoria possível e alcançável, mesmo que o preço a ser pago seja o desconforto de algumas pela reserva, ou a exaustão muscular e mental das que combatem a boa luta.
Falhou o arrogante técnico, e que sirva de lição para os dois jogos que faltam, onde deve dar preferência àquelas jogadoras que estão realmente em forma, capazes de se doarem e se sacrificarem, aspectos que devem ser reconhecidos por todas as demais componentes da equipe, reconhecimento este que não as desmerecem e diminuem seus valores. O momento, sendo de decisão à curtíssimo prazo, é daquelas que se encontram melhor na competição, e não das que se acham, por terem mais tempo , donas das posições. Cometeu o técnico o mesmo erro que seu antecessor na partida contra a Austrália no Mundial de São Paulo, o mesmo técnico de quem ao divergir resignou de sua posição de assistente. Mundo pequeno esse, não?
Continuo afirmando que com menos uns 10 kg ou mais, nossas pivôs possam rivalizar com as das demais equipes internacionais, e que o jogo com duas armadoras rápidas e competentes faz o jeito e a cara do nosso basquetebol. E que, em hipótese alguma seja permitido que talentos como a Francilene seja submetida à sanha marombeira de um segmento de pseudo-cientistas ávidos em demonstrarem seus conhecimentos caipiras de preparo basquetebolistico. Que fiquem com seus testes de ocasião, cuja motivação maior é a de apresentarem papers em revistas cientificas, engordando seus currículos acadêmicos, pois de pesquisa voltada às técnicas do grande jogo pouco ou nada sabem, se já não bastassem as volumosas dobras cutâneas de nossas pivôs.
Amém.
12 Junho 2008
O QUE MAIS FALTA?...
O técnico Moncho Monsalve apresentou sua lista para o Pré-Olímpico, incluindo na mesma e de forma condicional o jogador Leandro, que terá até o próximo dia 16 para confirmar sua participação, após os exames clínicos que fará nos Estados Unidos à partir de amanhã. Caso não possa atender a convocação, um outro jogador que treina na seleção do Sul-Americano será chamado, provavelmente, segundo declarações suas, um ala.
Na primeira entrevista que deu na SPORTV, após sua chegada ao Rio, mencionou a vontade de implantar na seleção um sistema de jogo com a participação de três pivôs móveis e rápidos, e dois armadores, numa solução que suscitou dúvidas e curiosidade entre seus entrevistadores, dois dos quais técnicos da modalidade. Gostei e apreciei sua coragem ao tentar convencer os presentes com argumentos que contrastavam com a realidade técnico-tática do nosso basquete, anos a fio engessado em um sistema padrão NBA, em todas as categorias e faixas etárias no país. Como único técnico carioca que sempre estudou, pesquisou e utilizou o sistema preconizado pelo técnico espanhol, em todas as equipes que dirigiu nos últimos 40 anos, compreendi de imediato as sérias e danosas, por veladas, criticas que se submeteria ao desenvolver tal proposta, as mesmas que sempre sofri, principalmente na seleção, que como modelo impositor de cima para baixo (em nosso país a elite esportiva, por não ser resultante de uma massificação na pratica desportiva, é a responsável pela implantação de modelos e sistemas a serem seguidos e adotados na formação), qualifica e impõe os caminhos a serem seguidos. Como profundas mudanças poderiam ocorrer, o temor dos estabelecidos técnicos nacionais perante uma proposição que não dominam, se tornaria uma fonte de críticas e sérias dúvidas.
Mas os problemas desencadeados por muitos pedidos de dispensa da relação inicial, quase totalmente baseada na equipe que participou do Pré-Olímpico de Las Vegas, com seus problemas técnicos e comportamentais, alterou em muito a estrutura da equipe, prejudicando em muito sua proposta inicial.
No entanto, se observarmos com atenção a lista hoje divulgada, alguns fatores inerentes à nova convocação, podem ser vistos e entendidos como uma retomada da idéia original exposta pelo técnico naquela entrevista inicial. Vemos que somente dois pivôs pesados constam da lista, o Baby e o JP Batista, já que os demais , Spliter, Murilo e Probst, apesar de fortes possuem grande mobilidade e impulsão, perfeitamente alinhados à premissa de utilização de três pivôs, mesclados por um dos pivôs de força, quando forem necessários em embates mais pesados under basket., e que contariam com alas muito altos também capacitados a estas novas funções, e mais além, com estes já adaptados ao sistema usual que poderia se revesar com a nova proposta. Ficaria a seleção dotada de dois sistemas, caracterizando um fator surpresa, já que todos os adversários atuando dentro do sistema padrão internacional se veriam perante algo inusitado para eles, oportunizando uma possível classificação para nós.
Porém um último fator fica a descoberto. Numa lista em que a menor estatura fica na casa dos 1,91m, casos do Huertas , do Eduardo e do Alex, sendo o Huertas o único armador ambidestro e de alta técnica nos domínios da bola, toda a programação inédita de três pivôs e dois armadores ficará dependendo de mais um armador de alta qualidade e vasta experiência na posição, já que o Alex, e o Marcelo, quando muito poderão “quebrar um galho” na posição, por não possuírem nem de longe a qualificação do Huertas, situação que se tornará incontornável se o Leandro não puder seguir com o grupo. Então o que fazer? Se o técnico optar pela manutenção pura e simples do sistema tradicional, mais um ala acima dos 2 metros poderá ser convocado. Mas se optar em ousar com um sistema que poderia desestabilizar o comportamento defensivo de nossos adversários, um outro armador terá de ser incluído na equipe, que poderia ser ou o Fúlvio, ou o Helio, ambos treinando na equipe B, apesar do melhor de todos e com mais experiência em ação nas quadras brasileiras permanecer esquecido em sua Franca natal, o Helio, que compensa sua altura mediana com muita técnica e inteligência.
Enfim, a equipe está composta, e que mesmo sem os luminares auto dispensados, poderá, se imbuída de vontade, disciplina e respeito aos técnicos e à gloriosa tradição da camisa nacional (que tal se voltasse a ser listrada? ), tentar com razoáveis chances uma classificação, que se não alcançada, servisse de alicerce a novos tempos e conquistas, visando um futuro mais de acordo com as nossas reais possibilidades.
Torço com isenção e honestidade pela seleção, pela nova seleção, desejando que se auto vacine contra rebeliões, insurgências e panelas nem sempre bem areadas. Que sejam felizes em sua luta, técnicos e jogadores.
Amém.
11 Junho 2008
O BRADO RETUMBANTE...
E a seleção feminina venceu a Espanha em sua própria casa, adquirindo uma autoconfiança preciosa para os embates decisivos rumo à classificação olímpica. Mas poderia ter vencido de forma mais contundente, não fossem três fatores negativos, dois dos quais ainda poderão ser corrigidos no transcorrer dos próximos e decisivos jogos. O que não poderá ser corrigido é o enorme sobrepeso de nossas pivôs, onde adiposidade é confundida com massa muscular, onde peso puro e simples é substituto de força, flexibilidade e agilidade. Nossas pivôs, ao perderem uns 10 kilos, com a boa técnica que possuem, se colocarão no patamar das suas companheiras no que se refere à velocidade nos ataques , e à eficiência defensiva, quando poderiam exercer marcação à frente das pivôs adversárias, evitando faltas desnecessárias, e interagindo nos contra-ataques com as demais companheiras. Os dois outros fatores se situam na esfera tática, a saber:
Primeiro, o descompasso evidente entre as ações da Claudia, jogadora de ritmo pausado, controle acadêmico do jogo, mas com pouca mobilidade defensiva, contrastando com as ações explosivas, muito velozes e presença significativa na defesa da substituta (?) e elétrica Natalia, muito mais contatada com as também muito velozes Iziane e Micaela, que imprimem um ritmo vertiginoso nos ataques e uma ação pressionada na defesa, fatores importantes dentro de uma equipe cujo padrão de jogo privilegia a velocidade, as ações de 1 x 1, e o posicionamento defensivo na linha da bola. Foi exatamente essa presença pressionada na defesa que anulou em muito os arremessos de três das espanholas, obrigando-as ao jogo interior em cima de nossas lentas pivôs (sempre marcando por trás, por serem lentas e pesadas ), conseguindo equilibrar a partida. Num momento do jogo a equipe brasileira tentou jogar com duas armadoras, com a Karla e a Claudia, quando deveria ter tentado a dupla Claudia e Natalia, que com suas características díspares, porém muito técnicas, ofereceriam um naipe de opções às demais jogadoras. Talvez seja uma boa opção para as partidas futuras, quando as defesas serão mais pressionadas e determinantes.
Segundo, explicar à Natalia, que paralisar a bola durante o drible, empunhando-a de baixo para cima, é uma transgressão às regras do jogo, caracterizando a infração de andar com a bola, já que o ritmo drible-passadas é quebrado com a interrupção da livre trajetória da mesma em direção ao solo. Por duas vezes ela foi punida com essa infração, que no caso de um jogo mais decisivo influenciará na produtividade final da equipe. Infelizmente, o comentarista da SPORTV se rebelou com as marcações dos árbitros nessas infrações da Natalia, assim como um três segundos da Mamá, com o argumento de que ninguém marca mais tais infrações no mundo, no que errou e erra contumazmente em seus comentários, ao negar evidências de manejo técnico da bola, não só as contidas nas regras do jogo, como nos preceitos de ensino e manuseio correto da bola ( como se dissesse-Se não é mais marcado, pode fazer...), uma das bases dos fundamentos.
Acertando e encaixando as peças certas nesse tabuleiro de xadrez em que são transformadas as grandes decisões em grandes torneios internacionais, creio que nossa seleção possa se classificar com méritos e merecimento, pois ao largo da equipe masculina, se caracteriza pela unidade de trabalho, liderança aceita e não imposta, clareza de objetivos, e responsabilidade em alcançá-los integralmente.
Mas o dia não poderia terminar sem as bombásticas declarações do grande ( não o maior de todos os tempos no basquete brasileiro...)Oscar, quando desafiou os jogadores ligados à NBA e os que jogam na Europa com o brado retumbante: “Os machucadinhos, que ponham band-aid e vão jogar!”, ante os muitos pedidos de dispensa por motivos de saúde e contusões, numa reportagem no O Globo de hoje. “Se quiserem dinheiro, tudo bem. Mas, se quiserem um lugar na história, têm de brilhar pela seleção!”
Seria muito interessante e esclarecedor se o grande jogador desse um passeio nos shoppings brasileiros e visitasse as lojas de artigos desportivos espalhadas pelos mesmos, quando veria que em se tratando de basquetebol, o que se vê à venda são uniformes completos, das munhequeiras e tiaras, até os fraldões apelidados de bermudas, sem contar os tênis personalizados das grandes franquias(clubes?)...da NBA! Não encontrará uma camiseta sequer de equipes nacionais, mas dos Bulls , Celtics, Lakers, encontrará às dúzias. E se percorrer a internet, os Orkuts e You Tubes da vida encontrará...mais, muito mais NBA, tentacular e sufocante, na promessa globalizada de riqueza, mordomias e realização pop star.
Então, como falar em patriotismo com essa turma, onde alguns milhões de dólares e euros não podem, em hipótese alguma, serem colocados em risco na inocente troca por uma camisa verde e amarela, a não ser que seja a do Golden State? Por que perder tempo tentando sensibilizar quem já está anestesiado pela dinheirama e pelo status estelar? Por que não concentrar nossos esforços e parcas verbas (aquelas que sobram depois dos butins...) no desenvolvimento daqueles que não foram aquinhoados pela fada enebeana e sua irmã caçula comunitária, para que possamos, com muito esforço e trabalho, tentar galgar um degrau a mais no cenário internacional, como nossos hermanos do sul? Por que teimar contra tais comportamentos dando em contrapartida seu próprio exemplo de jogador e cidadão, se como exceção justifica a regra geral?
No dia em que tivermos na direção do nosso desporto homens compromissados com os princípios educacionais da juventude, onde a educação física e o esporte somarão com as demais disciplinas, humanísticas, exatas, artísticas, musicais, para o desenvolvimento pleno da cidadania, que é um direito constitucional, ai sim, seu exemplo servirá de farol nos caminhos que levam ao olimpo dos vencedores, nunca antes, como agora, onde a cultura dita globalizada nos esmaga e avilta, humilhando princípios de nacionalidade e independência plena, aquela que nos faz donos do nosso destino e grandeza.
Amém.
09 Junho 2008
"DEU NO QUE DEU"...
Acabo de ler no blog do Fabio Balassiano ,“Da linha de 3”, que o Ricardo Probst foi convocado para os treinamentos da seleção brasileira, já que os homens altos Varejão, Nenê e Paulão ficaram impossibilitados por motivos de saúde, e que treinará na seleção B, sendo aproveitado na A se repetir suas recentes atuações na Super Copa.
Fez-se justiça, que tarda, mas não falha, ainda mais quando alicerçada em conceitos exclusivamente técnicos. De correto teria sido sua convocação direta para o grupo do Pré-Olímpico, e não para ter de passar por um estágio probatório condicional e nada impossível , excludente. Mas acredito firmemente, que se o ótimo jogador fizer sobressair sua enorme habilidade reboteira, eximir-se de aventurar nos três pontos, que é território e domínio dos cardeais ainda em ação, manter acesa sua inegável valentia na busca incansável da bola, servindo-a quantas vezes forem necessárias a seus companheiros finalizadores, marcar com eficiência o pivô adversário pela frente, como sabe fazer muito bem, e manter-se eficiente nos arremessos curtos e lances-livres, sem dúvida alguma ganhará a seleção um jogador com poder de rebote considerável. Torço para que tenha o merecido sucesso, que se faz merecedor por sua luta e persistência.
Mas, sempre um mas, tivemos nessa semana alguns capítulos da novela: “Leandro vai? Leandro não vai? Qual é a do Leandro? E que culminou com sua visita ao Moncho no treinamento da seleção B, aqui no Rio, onde afirma ter aparado as arestas no relacionamento dos dois.
Muitas historias e ilações têm vindo à público sobre a participação do Leandro no Pré-Olímpico, mas nenhuma foi mais esclarecedora do que a sua participação no programa da ESPN “Juca Kfouri entrevista”. Para quem gosta de ler nas entrelinhas, ainda mais quando as colocações do entrevistador são extremamente inteligentes, foi um prato cheio, principalmente quando perguntado, de forma até tímida, pelos fatos ocorridos em Las Vegas, e seu relacionamento com alguns jogadores daquela problemática equipe. Muito bem assessorado e orientado profissionalmente, o Leandro afirmou que a princípio teve alguns desencontros de pontos de vista com elementos da equipe, mais que superados, mas que nem tudo correu como desejava, e por isso “deu no que deu”.
E por que “deu no que deu? Pergunta que nem o Juca ousou fazer, já que foram fatos ocorridos entre quatro paredes de um vestiário muito diferente dos da NBA, que ele conota como uma das experiências inesquecíveis em sua carreira, com toda aquela mordomia de gatorades e barras energéticas à disposição, além, é claro, de seu nome gravado no armário dos uniformes de jogo.
E nesse ponto vem a pergunta que não foi feita, aquela que poria em pratos limpos o futuro disciplinador e ético das futuras seleções nacionais, aquela que determinaria o principio de comando, de prestígio, de liderança e respeito dos jogadores para com seus técnicos, somente vivenciada por quem participou intrinsecamente da mesma, mesmo sendo voto contrário, se é que o foi, mas que lá esteve, e cujo conteúdo foi divulgado pelo Marcos, penalizado e expurgado pelos companheiros e pela CBB por fazê-lo. O que ocorreu e foi determinado naquela reunião fechada? Foi a pergunta omitida, mas cuja possível resposta foi sutilmente mencionada num “deu no que deu”.
E após tantas versões, de achismos e interpretações válidas ou não, vemos nosso craque da NBA embarcar numa ponte aérea e vir encontrar o espanhol num treino da seleção B, e posar de pacificador, ante o perigo de ver ruir sua imagem de bom moço e bom caráter, que acredito possuir.
Mas, um penúltimo mas (nunca um último...), como agirá o técnico espanhol na direção de uma equipe que é capaz de se reunir para discutir habilitações de uma comissão técnica, em pleno Pré-Olímpico, determinando comportamentos e funções técnico-táticas, liderada por cardeais mais do que conhecidos, e que estarão no próximo e decisivo Pré?
Creio que a foto da Luciana Paschoal do O Globo, com a frieza de sua objetiva, demonstra na clareza dos semblantes expostos que desta vez ( assim contritamente espero...) o “deu no que deu” não torne a acontecer, pois se reuniões houverem, lá estará liderando-as o moncho carrancudo da foto.
Amém.
08 Junho 2008
07 Junho 2008
A HERANÇA...
É uma sexta-feira radiosa, e bem cedo pego meu velho Fiat 95 e parto para a cidade via Barra da Tijuca. Como moro na Taquara prenuncia-se uma viagem e tanto até meu destino. Mas o que vejo? O transito fluindo calmamente, sem atropelos, mudança esta sentida desde antes um pouco do inicio dos Jogos Pan-Americanos, quando estações do metrô foram inauguradas no sentido Barra-Penha e Barra-Botafogo, transformando a ida de carro praticamente num tour turístico pela belíssima orla do Rio. Como havia um pouco de tempo sobrando ao meu compromisso na cidade, paro em uma das escolas públicas beneficiadas pelo plano de projeto esportivo anexado ao futuro olímpico de massa, que dotou as escolas cariocas de dependências mínimas, porém decentes, de kits formados por uma quadra coberta, uma piscina de 25 metros e uma mini pista de atletismo, além de uma pequena verba suplementar para que os professores de Ed.Física dessem mais horas de trabalho visando o atendimento comunitário. Converso com os professores e constato o sucesso do projeto, estampado em seus sorrisos de satisfação pelo trabalho que desenvolvem junto aos professores de artes e musica, em estreita colaboração com os demais professores das disciplinas tradicionais. Antes de sair dou um pulo na pequena, porém atualizada biblioteca, e na cozinha, onde um estimulante odor de comida bem feita exala no ar. Saio e percorro o trajeto até o autódromo, onde grandes e modernas instalações desportivas foram construídas para os Jogos, e o que vejo meus deuses? Muitas, muitas crianças ocupando as quadras e piscinas, praticando as modalidades oferecidas pela municipalidade, em escolinhas onde os talentos garimpados nos programas desenvolvidos nas escolas da região desenvolvem suas aptidões. Fico feliz e gratificado com a herança deixada pela organização lapidar dos Jogos para a população carioca. E como surpresas ainda poderiam ocorrer, vejo voltarem os pescadores nas lagoas que circundam as dependências do autódromo, como um pouco mais adiante o bairro que serviu de Vila Olímpica, cujas águas límpidas contrastam dramaticamente com a cloaca a céu aberto de antes daqueles benditos Jogos. E chego na Barra, suavemente, rejuvenescido, admirando o quanto o povo desta cidade evoluiu em sua educação no trânsito, quando perante ações sócio-políticas que realmente os beneficiavam. E com a ausência de jovens e muitas crianças que pululavam os cruzamentos na ostentação de sua pobreza e abandono, hoje amparados pela sociedade e estudando em tempo integral, fico agradecido do fundo do coração, desejando, ao passar pela monumental sede do COB na Avenida das Americas, saltar e ir agradecer tão contundentes e preciosas dádivas, frutos de uma extraordinária administração dos bens públicos na organização ímpar e patriótica daqueles inesquecíveis Jogos.
E quando no dia seguinte, abro o jornal e me deparo com as autoridades diretivas do Estado e do desporto nacional, onde ministro, governador, prefeito, presidente do COB e benemérito da FIFA, entre outras autoridades empresariais, sempre eles, se abraçam, se beijam e sorriem escancaradamente para as lentes televisivas do mundo inteiro ao ver a cidade maravilhosa escolhida na rodada semifinal para sede das Olímpiadas de 2016, cujos projetos enfocam benfeitorias muito além daquelas que herdamos do Pan, e que relatei emocionado acima, numa exibição explicita de poder além do sonhado, inclusive para cidadezinhas como Madrid, Tókio e Chicago, onde só o projeto de exeqüibilização a ser apresentado no ano que vem na rodada decisiva se eleva no patamar acima dos 50 milhões de reais, e cujas obras complementares às do Pan irão orçar por volta dos 3 bilhões, é que percebo ter sido aquele trajeto até a cidade uma armadilha em forma de sonho a que todos os cidadãos honestos e trabalhadores desse infeliz estado, seus filhos e famílias, caem dia após dia, ano após ano, décadas após décadas, restando aos mesmos, a mim, um urro do fundo de nossas indignadas almas- CANALHAS!
Amém.
ASSUNTANDO MAIS UM POUCO...
Franca venceu a Super Copa com total merecimento, fechando um torneio com imenso sucesso de público, na contramão do Nacional com seus ginásios semi-desertos, inclusive o majestoso Maracanãzinho, ex-palco de decisões inesquecíveis num passado recente, onde clubes defendiam, e não alugavam , suas gloriosas camisas. Reafirmam os clubes-cidades paulistas seu poderio e grande comprometimento com o soerguimento do basquete brasileiro, somente faltando a integração, que se faz tardia, com os clubes dos demais estados na formação de uma Liga poderosa e politicamente forte, obrigando ao comando da CBB uma tomada de consciência e bom senso para sua implantação. Acredito seja esta uma solução factível e promissora para o futuro do grande jogo entre nós.
E na seleção da SC e premiado como o MVP da competição, um jogador que absurdamente jamais foi convocado para a seleção nacional, confirma seu talento como reboteador e pontuador, jogando numa posição recorde em convocações, com jogadores muito inferiores a ele tecnicamente, mas prestigiados por atuarem fora do país, como se esta condição fosse pré-requisito em seleções, e não a qualidade numa rara especialidade, a de dominar rebotes com precisão e inteligência. O Ricardo Probst tem lugar na seleção para o Pré-Olímpico, como digno sucessor dos grandes reboteiros das seleções vitoriosas de outrora, como Ubiratan, Adilson, Gerson, Israel, responsáveis pelas inumeráveis oportunidades que propiciavam chances e mais chances aos nossos pontuadores de sempre. Uma incomensurável injustiça, muito mais à seleção do que a ele próprio.
Outros três jogadores, o Helio, Marcio e Rogério, de Franca, mereciam ao menos treinarem na seleção, por estarem em grande forma, serem experientes e praticarem um basquete diferenciado das demais equipes brasileiras, e em muitos pontos similar ao praticado pelos europeus, cadenciado e disciplinado. Com a ausência do trio NBA, um claro em experiência teria de ser preenchido por jogadores de boa qualidade e com larga rodagem, ainda mais num torneio rápido e de importância capital para o nosso basquetebol. Infelizmente, o técnico espanhol de plantão não acompanhou aquele campeonato, como teria de fazê-lo como responsável por uma seleção nacional, se pautando por depoimentos de seu assistente técnico ligado ao Nacional e aos interesses da CBB. Lamentável.
Se alguns jogadores que competiram na SC foram convocados, deva-se à tentativa ladina da direção da CBB, para dar uma pálida idéia de isenção técnico-politica, cuja intenção final é a de se apoderar da idéia vencedora de São Paulo para as futuras competições, aceitando uma Liga Nacional que mantenha em seu âmago o domínio administrativo e financeiro, dividido em partes não muito iguais entre ela e a ACBB. E mesmo assim, foram convocados para a seleção secundaria, aquela que irá disputar o Sul-Americano, que deveria ser o campo de preparação da seleção principal.
Finalmente, o que já havia previsto a bastante tempo, começa a tomar corpo, infelizmente, na reta final da preparação da equipe, com uma declaração preocupante do técnico espanhol de que caberá daqui para diante ao Marcelo “assumir o papel de protagonista desta equipe”, o que soa dissonante ante ao fato inquestionável de que o mesmo não possui as qualificações de armador com técnica suficiente para superar as fortes pressões defensivas que enfrentará, assim como a disciplina tática preconizada pelo técnico, com sua formação acadêmica e cadenciada, sobrando seu efetivo arremesso, dependente de uma preparação coletiva, que é resultante de uma união e aceitação grupal, fatores que originaram as célebres desavenças em Las Vegas, quando a reinvidicação básica era a de “armem que eu chuto”, que foi rebatida e negada por alguns, originando dissensões e quebras de disciplina.
Tudo aquilo que de pior poderia vir a ocorrer com a debandada da turma da NBA virá ao proscênio daqui para diante, onde tapar o sol com a peneira de um projeto mal sucedido e irresponsável, pesará nas costas do espanhol, aumentando em muito a sua dor crônica de coluna pós operada, responsável pela sua ausência da terra tupiniquim, onde deveria estar de a muito, a fim de convocar quem de direito e merecimento, e vontade para defender nossa seleção, em um motivo mais do que convincente da impropriedade de sua contratação, ao invés de um nacional, dos muitos competentes entre nós, plenamente capacitados na tentativa classificatória, dirigindo uma seleção única e indivisível, contrariando essa exibição de falso e ignóbil poderio, retratado em duas seleções equivocadas e estéreis.
De forma alguma torço contra, mas não posso trair os muitos anos de vivência e convivência com a realidade sofrida e injusta do grande jogo entre nós, refém de uma turba de irresponsáveis protegidos e acoitados por um poder maior, que os tornam imunes a auditorias e prestações de contas, bem ao estilo das raposas felpudas que são e continuarão a ser ad perpetuam.
Amém.
04 Junho 2008
O FLAMENGO DA PATRÍCIA...
O Flamengo foi o campeão, lídimo campeão, pois se fez merecedor pelo grande esforço de estruturar uma boa equipe, aqui no glorioso Rio de Janeiro, enquanto seus co-irmãos alugavam suas também gloriosas camisas como vendilhões de suas tradições e história. Parabéns pelo feito, parabéns pela teimosia, marca registrada rubro-negra. E muitos parabéns aos jogadores e ao técnico Paulo Sampaio, e sua competente comissão técnica.
Mas algo mais me chamou muita atenção nessa conquista, o apoio e suporte da vice-presidente de esportes olímpicos (creio ser este o cargo) Profª.Patrícia Amorim, para que esse sucesso se tornasse realidade, e que me fez recordar uma passagem com a mesma , quando cursava seu derradeiro semestre na EEFD/UFRJ, quando de seu estagio supervisionado em prática de ensino, do qual eu era o coordenador. Bela manhã, fui procurado pela então aluna Patrícia no campus da Praia Vermelha, que se apresentava para seu estagio, trazendo consigo uma programação a ser desenvolvida na piscina da escola, sugerida pela professora da modalidade. Fiz ver a ela que até aquele momento jamais havia permitido que alunos se voltassem, pelo menos no âmbito da instituição, no sentido da especialização pura e simples, e que naquele departamento insistíamos na formação generalista dos graduandos, que seria a realidade que encontrariam em suas vidas ligada às escolas do país. A Patrícia se contrariou, mas ante minha posição iniciou suas atividades na prática de ensino com uma turma de volibol no primeiro trimestre, e se não me engano, uma de futebol no segundo. Fez um excelente estágio e seguiu seu caminho de professora. Tempos depois a vi na coordenação de um CIEP em frente ao estádio do Flamengo na Gávea, onde estabeleceu uma relação clube-escola com grandes resultados, demonstrando que o aspecto generalista de sua atuação se fazia presente com sucesso. Quando se candidatou a vereadora, confiei meu voto àquela jovem , inicialmente contrariada com a minha decisão na EEFD, mas que compreendeu no desenrolar de sua vida profissional que eu tinha alguma razão ao manter o posicionamento pedagógico. Enfim, vejo-a na direção técnica do grande clube, com competência e idealismo, não só a favor se sua amada natação, mas prestigiando as demais modalidades, uma das quais a fez vibrar ontem na quadra de Brasília. Dou também meus parabéns a ela, a Profª. Patrícia Amorim.
Mas como um tema dessa envergadura, a final de um Campeonato Nacional, não poderia se extinguir afogado por merecidos parabéns, toco num detalhe que definiu e decidiu o jogo de ontem, os 40 pontos do Marcelo, e seus incríveis 21 x 21 lances-livres convertidos. Realmente dignos de nota e admiração, assim como de decepção quanto a incapacidade e primarismo de seus adversários na marcação sobre ele, que em se tratando de uma final, onde os melhores jogadores se defrontam, contabilizaram uma performance pífia e comprometedora.
Quem acompanha e conhece um pouco dos fundamentos do jogo, os de defesa em particular, está cansado de saber que a posição mais letal do arremesso de três do Marcelo se estabelece após um drible para a sua esquerda vindo da mão direita, característico do corte, onde a mão esquerda domina e paralisa a bola, levando-a ato continuo à posição elevada para o arremesso de direita. Quando ele é obrigado a bater com a mão esquerda, para a esquerda, a sua dificuldade em efetuar o drible e dominá-lo para a empunhadura do arremesso é bastante visível e notória, daí, quando ocorre essa situação uma atitude de mudança de direção, para a direita , torna-se inevitável. Ora, se o marcador der espaço para que ele progrida e execute o corte de direita para a esquerda, estará permitindo o posicionamento ideal para seu mortal e equilibrado arremesso, que perde muito de sua eficiência quando deslocado dessa posição. Mas, pergunta-se, se isto ocorrer ele corta em direção à cesta, onde também é eficiente também, não? Concordo, mas façam as contas se em vez dos montes de três pontos que assinalou (inclusive muitos triplos lances-livres que cobrou), fossem os mesmos trocados por dois pontos, e acredito que o placar estaria muito mais critico do que esteve, dando chances de equilíbrio ao(s) oponente(es). Esquecem nossos jogadores e técnicos que o segredo (será tão segredo assim?) para diminuir a pontuação de um grande arremessador, jamais passa pela tentativa de evitar que sejam executados, e sim que sejam alteradas algumas características inerentes aos mesmos, como posicionamento Ideal, rotinas de equilíbrio, empunhadura precisa, e principalmente trajetória, assim como a opção para liberação de dois ou três pontos possíveis. Uma equipe bem treinada e sabedora de seu potencial ofensivo equilibra o do adversário cortando seus caminhos e alterando suas preferências nos arremessos, que foi exatamente o que não fez seu decepcionante adversário.
Mas como a equipe do Flamengo nada tem a ver com detalhes controversos de seus oponentes, venceu com méritos e justiça. Sinceros parabéns.
Amém.
03 Junho 2008
NOSSA SELEÇÃO...
Logo mais, por volta das 19 horas teremos duas partidas que poderão ser as decisivas nos campeonatos paralelos mais importantes do basquete brasileiro, quando Flamengo e Brasília pelo Nacional, e Assis e Franca pela ABCB jogarão suas terceiras partidas, com Flamengo e Franca vencendo suas respectivas series por 2 x 0.
Dois campeonatos que poderiam ter sido um de excelente qualidade, mas a incúria e os desmandos irresponsáveis da cúpula diretiva do nosso basquetebol transformou-os em dois monstrengos a dividir os parcos recursos técnico-administrativos que nos restam, rescaldos calcinados de uma liderança espúria e suicida. E o pior, às vésperas da competição mais importante dos últimos anos, o derradeiro Pré-Olímpico de Atenas.
Mas podemos afirmar com grandes chances de acerto, o quanto de bons jogadores em forma física e técnica se espalham nessas quatro equipes, muitos deles com performances superiores aos convocados pelo técnico espanhol de plantão, infelizmente em solo europeu. Deveria estar obrigatoriamente aqui em terras tupiniquins, acompanhando e atestando o quanto de dedicação e luta estão imbuídos alguns excelentes jogadores esquecidos nas convocações, plenos de vontade sincera e patriótica de defender o seu país, sem condicionamentos estelares e reinvidicações de musos operísticos. E o mais importante, prontos de imediato a pelo menos 40 dias de preparação diária, suficientes para um entrosamento mínimo, porém eficaz na medida do possível.
Mas não, apelando para o mais fácil, mantendo o grupo dissidente de Las Vegas , alguns dos quais já se afastando da possível catástrofe mais do que prevista e anunciada, e contando com o imaginário ufanista de um tipo de mídia deslumbrada com o glamour pop star de uma plêiade de jogadores reservas, em sua grande maioria, em equipes internacionais de segunda linha, nosso Mocho Monsalve perde uma oportunidade impar, em se tratando do primeiro estrangeiro a selecionar e treinar uma seleção nacional, de formar uma autêntica e aguerrida equipe, que mesmo sem alguns incensados “nomões “ , poderia bem, muito bem representar nosso basquete em Atenas.
Seriam 40 dias de treinos diários, ou sejam, 80 treinos possíveis, muito mais do que os 34 que planejou com as debandadas super(?) estrelas.
Fosse eu , ou algum dos excelentes técnicos que possuímos no país (sim caríssimo Grego melhor que um presente, temos excelentes técnicos ,e apontei alguns deles a você em Brasilia, cujo convite para um bate-papo na CBB espero sentado até hoje, mas que não me faz falta nenhuma...), convocaria 14 jogadores, entre os que mesmo jogando lá fora se mostram disponiveis à seleção, e outros que por aqui sonham em defender a camisa listrada (isso mesmo, exigiria a retomada do uniforme antigo e vitorioso em mundiais e Olimpíadas), tão esquecida e traída.
Seriam 14 convocados e duas passagens de avião, ou ônibus em data aberta, sempre pregadas no quadro de avisos, apontando com absoluta precisão a disposição de dispensar sem contemplação todo aquele que manifestar liderar reuniões fechadas e declarações técnico-táticas que ferissem o sentido de formação de uma verdadeira equipe, no mais absoluto respeito a seus lideres, e hierarquias disciplinares.
Huertas, Valter, Helio(Franca), Mateus, Alex, Marcio, Marcelo, Rogério, Spliter, Probst, JP Batista, Drudi, Murilo, Dedé, seria um boa lista, pois estão em grande forma, tem os veteranos indispensáveis ao bom equilíbrio emocional, tem os jovens de futuro garantido, tem força e bons fundamentos, e principalmente, tem tempo para treinar, já que livres de obrigações injustas e contratuais. O Spliter, ao optar pelo basquete europeu, provou que o paraíso da NBA não é tão atrativo assim , principalmente para quem ama o jogo de verdade.
Uma seleção necessita antes de tudo, de amor, dedicação e sacrifício, mesmo que os resultados não sejam a principio os desejados, mas que solidifiquem uma tradição e um compromisso de luta e dádiva, que foi o exemplo deixado pelas gerações vitoriosas que antecederam a todos estes jogadores, e por que não, a todos os técnicos que atuam hodiernamente, espanhóis ou não.
Sonho ou realidade, equipes A e B são despropositadas e políticas, ferem o principio de seleção, ou reunião dos melhores, num ano de competições únicas e transcendentais para o grande jogo entre nós, onde um Sul-Americano teria de servir obrigatoriamente como preparação prática para o Pré-Olímpico, e onde poderíamos treinar até e inclusive em dias de jogos, visando a competição maior, na qual a realidade olímpica não fosse mera questão de sorte, e sim uma possibilidade viável de classificação. Creio, que com vontade e discernimento ainda teríamos tempo de corrigir tão amargo engano, que poderá se tornar mais amargo ainda na continuidade do que perpetraram irresponsavelmente. Assim penso.
Amém.
01 Junho 2008
ASSUNTANDO...
Quarto final, a equipe de Assis fica bem perto de equilibrar o jogo, mas seus jogadores, intranqüilos, cometem erros em profusão, e que nem mesmo seus melhores jogadores, o Probst, em mais uma exibição de como deve se comportar um pivô nos rebotes, além de comparecer eficientemente nos pontos de sua equipe, e o Nezinho em uma noite inspirada no ataque, conseguem superar a equipe de Franca, com seu armador Helio sem apresentar o melhor de seu condicionamento, mas jogando num sentido coletivista elogiável.
De repente, num pedido de tempo, o técnico de Assis agride uma cadeira a pontapés, proferindo impropérios a granel, e dirigindo-se a um dos jogadores brada: “Vai pro meio do inferno, vai pro inferno!” , numa atitude destemperada e irracional, deixando a todos atônitos e incrédulos. Imediatamente, o comentarista da ESPN justifica: “Ele tem razão de interferir dessa forma, ele é assim mesmo, sempre foi...”. No que o narrador justifica o fato de existirem aqueles técnicos formadores de equipe, e aqueles estrategistas, que mexem com o psicológico da equipe, dos jogadores, entre os quais o cacique de Assis se enquadrava. Pronto, pelo seu passado e pela sua forma de ser e agir, estava desculpado, afinal trata-se de uma competição de alto nível, de alto rendimento. E continuou com sua atitude de perene manifestação irônica, tanto quanto à arbitragem, como para com seus jogadores, como se fosse o centro do espetáculo, onde o começo e o fim do mesmo pertencesse a ele, o mandante infernal.
Perdeu o jogo, e uma excelente oportunidade de se comportar como um técnico deve se comportar, com equilíbrio e ponderada liderança, onde destemperos, via de regra, escamoteiam falhas inadmitidas por ele, sendo mais politicamente corretas direcioná-las àqueles que, temerosos e subjugados, não se defendem, os jogadores. Lamentável sob todos os sentidos, simplesmente lamentável, como também as justificativas dos responsáveis pela transmissão televisiva, ao conotarem pseudo razões no comportamento reprovável testemunhado por eles, e enviado em rede para todo o país.
Nos dois jogos que abriram a decisão do Nacional, entre Brasília e Flamengo, um simples e definitivo atestado, o de incompetência defensiva, por parte da equipe candanga, que se apresentou da forma mais primaria e absurda, quando da necessidade de diminuir a alta incidência de arremessos de três pontos da equipe rubro-negra. Dizem e afirmam-se como jogadores de alto rendimento, a fina flor do basquete nacional, com passagens pela seleção brasileira, com porte físico comparado às melhores equipes mundiais, detentores dos melhores salários pagos na modalidade, mas que simplesmente não sabem, não podem ou não querem marcar, confiando em um poder ofensivo discutível, e taticamente equivocado. Permitir aquela enxurrada de arremessos de três, é atitude derrotista e fadada ao fracasso, e um 3 x 0 na próxima terça feira em Brasília seria um castigo mais do que merecido a uma equipe que simplesmente desconhece o fundamento Defesa. Quanto ao Flamengo, segue seu caminho vitorioso com todo o merecimento que se faz credor, o de melhor equipe deste Nacional.
Finalmente, um fato preocupante e que deve deixar todos aqueles que torcem pela seleção brasileira que disputará o Pré-Olímpico em Atenas, com as barbas de molho. Numa entrevista dada ao jornalista Fabio Balassiano do blog Da Linha de Três, o jogador Leandro afirma que, ao contrario do que divulgou o técnico Moncho Monsalve, jamais teve qualquer comunicação com o mesmo, por email, telefone ou encontro pessoal, deixando no ar uma sensação de que pequenas ou grandes mentiras teimam em freqüentar os bastidores do basquete brasileiro em sua busca pela formação da melhor equipe possível, e mais, confirmou que sugeriu em dupla com o colega Nenê, os nomes dos técnicos do Suns e do Nuggets, com a anuência dos mesmos, para dirigirem a seleção, fato antes mencionado pelo jogador Marcos dias atrás, mas que não foram aceitos pela CBB, em mais um, dos vários motivos que possam vir a pesar na decisão de participação dos mesmos na seleção. Como vemos, muitos são os meandros que inferem na constituição final da equipe, onde opiniões, pitacos, intromissões e auto convocações põe em risco a unidade disciplinar, hierárquica e ética que deve se constituir no alicerce de um grupo, que em torno de seu líder, o técnico, se dispõe à construção de uma equipe vencedora, onde interesses e demandas pessoais devem ser postas de lado, em benefício de um todo, de uma verdadeira equipe.
Mas, devagar e despretensiosamente, a equipe feminina que sofreu desfalques importantes na véspera de sua ida ao Pré-Olímpico de Madrid, embarca com três armadoras, seis alas e três pivôs, numa formação inédita e audaciosa, mas que conoto como válida, principalmente se atuar com duas armadoras em quadra, aumentando o domínio qualitativo na posse de bola, nos dribles, passes e fintas, assim com na velocidade defensiva, permitindo variar o ritmo de jogo de acordo com as adversárias, já que garante e protege a bola pelo domínio direto, e não exposta permanentemente num jogo baseado em passes, onde o domínio da mesma se faz precário, já que longamente no ar, onde sua posse é de quem chegar primeiro. Se tiverem a coragem dos que arriscam para vencer, acredito em sucesso, pois a vitoria se torna realidade para aqueles que a buscam no limite do imponderável. Desejo boa sorte a todas.
Amém


